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sexta-feira, 29 de abril de 2016

Tem um chefe narcisista? Veja 5 dicas para ter uma boa convivência


Você já tentou falar com seu gerente sobre um projeto qualquer só para ele parar de falar sobre um prêmio que ganhou anos atrás? Esse tipo de situação acontece com frequência no seu local de trabalho?

"Trabalhar para um chefe narcisista é como andar em uma grande montanha-russa enquanto os seus olhos estão vendados", afirma Teri Hockett, CEO do What's for work?, site de carreira para mulheres. "Você pode ser a melhor pessoa do mundo em um momento e em seguida está recebendo toda a culpa".

Um verdadeiro narcisista não assume a responsabilidade por qualquer resultado negativo e sempre vai evitar quem o desafia ou não vai respondê-los da maneira correta.

E como conviver com um chefe narcisista que não escuta os subordinados e não aceita ideias? Como lidar com a vaidade e o ego do superior? O Business Insider, site norte-americano de carreiras, listou 5 dicas para ter uma boa convivência com o gestor:

1) Reconheça os traços narcisistas
Quanto mais rápido o profissional identificar o traços narcisistas do chefe, mais fácil será para conter os danos, segundo Teri Hockett.
Gestores que exigem admiração excessiva, falam mais do que escutam, não têm empatia, exteriorizam a culpa e nunca assumem seus próprios erros e nunca aceitam ser desafiados são exemplos de narcisistas.

2) Mantenha distância
Segundo Teri, o colaborador não deve ficar emocionalmente envolvido com a chefia. "O funcionário deve ser profissional e resguardado. Ele também não deve compartilhar muitas informações que poderão ser usadas contra ele mesmo no futuro", aconselha.

3) Estabeleça limites
O profissional deve determinar quais formas de tratamento são aceitáveis e quais não são. Com o limite estabelecido, ele deve ter coragem para falar quando a linha for cruzada. Ele pode se manifestar diretamente com o chefe e até mesmo com instâncias superiores, se necessário.
"Eu respeito seu ponto de vista, mas também tenho o meu", é uma forma de se posicionar de uma maneira sucinta e profissional.

4) Seja respeitoso e cauteloso
O profissional narcisista pode ter muitas mudanças de comportamento e de tratamento com os subordinados e colegas. "Entenda que os ventos mudam rapidamente e que você pode ficar por baixo a qualquer momento", ressalta Teri. Segundo ela, o profissional pode documentar todas as conversas.

5) Evite fofocas
Existe uma grande probabilidade de o profissional não ser o único que se sente estressado e desrespeitado pelo chefe, mas falar sobre isso com outro colegas e reclamar não é a melhor opção.
Segundo Teri, a fofoca "caminha" por todo o ambiente de trabalho e a última coisa que o profissional quer é que o chefe narcisista acabe ouvindo o que pensam dele.

Texto Original: G1

quinta-feira, 28 de abril de 2016

7 dicas valiosas para deixar o medo e investir na produtividade


Por

A Psicologia Positiva nos convida a escanear a realidade de maneira a enxergar oportunidades - inclusive em meio às situações desfavoráveis. Isso muda o jogo, especialmente para aqueles que se veem imobilizados diante de adversidades no ambiente de trabalho. Antes de reclamar, justificar-se ou omitir-se confira saídas para algumas das situações mais usuais no escritório.

Não vai dar tempo
Quando você percebeu isso: na hora que recebeu o desafio ou depois? A hora certa de negociar prazo é antes de iniciar o trabalho. Contudo, se no decorrer da execução você se vê em risco, não há nada errado em comunicar ao seu gestor e pedir orientação - quanto mais cedo melhor. O que fica muito difícil é avisar no dia da entrega que o trabalho não ficou pronto.

Minha equipe é insuficiente
Esse está se tornando um mantra em tempos de empresas enxutas e em contínuo processo de redução de custos. A pergunta aqui é: a equipe não é suficiente ou não está pronta para os desafios? Se não é possível ampliar o quadro, é possível capacitar os colaboradores para que possam produzir mais e melhor. Vale rever os processos, ouvir sugestões da equipe e, até mesmo, do cliente.

O cliente é irredutível
Se o cliente é irredutível, atenda-o da melhor e mais rápida forma. É muito útil, também, designar a pessoa da equipe com maior habilidade para conduzir a comunicação. O conflito será o caminho onde todos sairão perdendo. E mais: considere o perfil desse cliente antes de estabelecer novos contratos com ele.

Falta estrutura para trabalhar
Aqui a gente realmente tem um problema que afeta diretamente o engajamento do profissional no trabalho. O melhor caminho é elencar as necessidades básicas e iniciar uma negociação com a empresa. A negociação será lenta, mas com argumentos que envolvem o aumento do resultado, a organização acabará cedendo em algum ponto. Lembre-se: muitas vezes a empresa não tem recursos naquele momento para adequar a estrutura, então use bons argumentos para que você seja o primeiro atendido quando possível.

Sou cobrado por metas dos outros
Neste caso vale uma conversa com seu gestor, em particular. Adote uma atitude ponderada ao tratar do assunto, peça a ele para avaliar a sua performance.

Sobra competição e falta colaboração
Esse é um dos piores ambientes para se trabalhar. Onde competência perde para competição, o melhor é não se demorar. Mantenha-se fora da arena e busque, assim que possível, uma nova oportunidade de trabalho.

Meu chefe age sem transparência
Muita gente passa a vida procurando o chefe perfeito e atribuindo aos chefes imperfeitos seu insucesso profissional. O ideal seria conciliar chefe e mentor em uma mesma pessoa, mas isso nem sempre é possível. Gestor é aquele indivíduo que já está lá quando a gente chega e, por determinação da empresa, lidera o trabalho. Já o mentor é uma escolha pessoal e deve ser selecionado a partir de uma história de sucesso, que reúna conhecimento sólido e experiência. Eleja um mentor disposto a inspirá-lo, orientá-lo e a facilitar sua trajetória profissional. Ele ajudará a encurtar caminhos e a evoluir em meio à adversidade.

Texto Original: Brasilpost

A importância do relaxamento para melhorar a produtividade


Por Eva Maria

Para muitos, produtividade e relaxamento são termos completamente incompatíveis. Mas isso está muito longe da realidade. Na verdade, o relaxamento é fundamental para “resetar” a mente e se preparar para um período de produtividade eficaz e satisfatório.

O  cansaço e o estresse vão se acumulando ao longo da semana. Por isso é importante descansar no fim de semana. O mesmo ocorre ao longo do dia, e por isso é necessário parar e relaxar, para que o tempo gasto nas tarefas dê melhores resultados.
“O tempo livre é a melhor de todas as aquisições.”
-Sócrates-

A importância de buscar o relaxamento no tempo livre

Alguns estudos mostram que as pessoas tendem a precisar de mais tempo livre quando estão estressadas. Esse relaxamento extra é utilizado para compensar a queda no humor e na vitalidade que o excesso de estresse pode causar. Essa compensação ajuda a reduzir o estresse e favorece o aumento da produtividade e o equilíbrio emocional.
Aproveitar o tempo livre é uma boa maneira de aliviar o estresse e ser mais produtivo.
No entanto, o principal problema com o uso do tempo livre para o alívio do estresse é que só dispomos de uma quantidade limitada deste tempo no dia. Além disso, muitas pessoas não incluem o tempo livre em sua agenda, e até mesmo o tempo para comer é limitado.

Muita gente acredita que aumentar o tempo de ócio pode ser contraproducente quando se está muito ocupado, que relaxar é perder tempo e que este tempo só ajuda a aumentar o estresse pensando que ainda falta muito a fazer.

Mas o tempo livre é fundamental para manter o equilíbrio, liberar a tensão acumulada e se preparar para enfrentar o próximo desafio. O descanso é essencial para recarregar as energias e aumentar a produtividade.
“A formiga é sábia, mas não o suficiente para tirar umas férias.”
-Clarence Day-

Você conhece realmente as suas necessidades?

Saber quais são as suas metas no seu tempo de ócio e ter em mente uma lista de coisas que você pode fazer para cumprir estes objetivos te ajudará a valorizar mais o seu tempo de ócio e se planejar para alcançá-los.
Os seus objetivos para o seu tempo livre podem ser aliviar uma mente fatigada ou melhorar o seu humor, por exemplo. Ninguém melhor do que você sabe o que você precisa e quanto tempo precisa para conseguir isso.
“Há mais na vida do que ganhar a vida. Não trabalhe mais do que vive.”
-Mokokoma Mokhonoana-

Procure atividades que permitam relaxar em pouco tempo

Um dos problemas para se beneficiar do tempo livre é que a maioria das pessoas têm agendas muito ocupadas. Por isso é importante encontrar maneiras de relaxar que não exijam muito tempo e que sejam adequadas ao gosto de cada um. Assim, em pouco tempo, é possível obter grandes benefícios. Estas atividades podem ser assistir ou ouvir um programa de humor, ler, passear, correr ou sair para tomar um café fora do local de trabalho, entre muitas outras possibilidades.
“O riso são umas férias instantâneas.”
-Milton Berle-

Motive-se de uma forma positiva

Para muitas pessoas, parar e descansar é uma grande conquista, já que têm que superar muitos preconceitos acumulados ao longo dos anos em relação a este tema. Mas este descanso vai te ajudar a render mais e a se sentir muito melhor no final, a não se desgastar e a encontrar maior satisfação e motivação no que você faz.
Se você é uma dessas pessoas, faça o esforço de motivar a si mesmo de forma positiva. O descanso te ajudará a evitar a sensação de esgotamento e a se aprofundar melhor no que você tem que fazer, a limpar a sua mente e a encontrar soluções mais criativas e eficazes para os problemas que encontrar.

Relaxe para ser menos reativo ao estresse

Quando os níveis de estresse são mais baixos, somos menos propensos a precisar de tanto tempo livre para equilibrar esses dias estressantes. Criando o hábito de tirar alguns momentos livres, podemos evitar o acúmulo do estresse e também aumentamos a capacidade de controlar as reações quando o estresse aumenta. Alguns destes hábitos são os seguintes:
  • Praticar exercícios regularmente (sim, é possível se exercitar todos os dias).
  • Fazer meditação.
  • Ser grato para alimentar o pensamento positivo.
Texto Original: Amentemaravilhosa


quarta-feira, 27 de abril de 2016

Trabalhador descartável?


Por Josie Conti

O trabalho tem papel central na vida das pessoas. Ter ou não um trabalho ou um emprego afeta a pessoa em sua perspectiva de vida, de sustento próprio e da família, na sua autoestima e nas relações sociais: ser trabalhador é uma questão de identidade.

Por outro lado, observa-se que as condições, os processos e a organização do trabalho têm afetado negativamente a saúde das pessoas, ocasionando acidentes e doenças relacionadas ao trabalho.

Alguns dados:

• Hoje temos cerca de 30% de transtornos mentais menores e 5 a 10% graves entre os trabalhadores no mundo, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde.
• Os transtornos mentais constituem a terceira causa de concessão de benefícios previdenciários por incapacidade temporária para o trabalho, superada apenas pelos acidentes e doenças osteomusculares. Porém, ainda segundo a Organização Mundial da Saúde, ainda nessa década, eles serão a primeira ou segunda causa de afastamento do trabalho.

Algumas características que devem ser observadas na pessoa que está adoecendo e que estão prioritariamente relacionadas à “organização do trabalho”:

• Excesso de atividades, pressão de tempo e trabalho repetitivo;
• Conflito de papéis entre subordinados e superiores;
• Falta de apoio social, por parte da chefia, colegas e família;
• Tecnologia de produção em série e processos de trabalho extremamente automatizados;
• Trabalhos em turnos;
• Ameaça de desemprego;
• Competição;
• Jornadas prolongadas de trabalho;
• Responsabilidades excessivas e sobrecarga de trabalho;
• Diferenças em valores pessoais da pessoa e o que lhe é cobrado em seu trabalho.

Embora, num primeiro momento, os itens descritos acima não aparentem ser tão diferentes do dia-a-dia da maioria das pessoas, é notório o fato que o número de pessoas que chegam até mesmo ao suicídio em função do trabalho cresceu, e isso inclui o Brasil.

Uma característica comum em trabalhadores que não podem expressar seus sentimentos, é a “supervalorização de doenças físicas”, pois estas são mais visíveis e comprováveis e assim, uma forma concreta de mostrar à sociedade que existe um sofrimento real. O entorpecimento dos sentimentos através do álcool e outras drogas assim como de medicações “lícitas” também é comum.
O trabalho é saudável quando permite que a pessoa exerça de alguma forma sua criatividade, construa algo e, em troca, obtenha reconhecimento social e financeiro. Mesmo o estresse é considerado positivo se for exercido dentro dos limites de tolerância do trabalhador, lembrando que esses limites são individuais e váriáveis temporalmente.

Em recente passagem pelo Brasil, o prof. Yves Clot, conceituado psicólogo do trabalho e pesquisador do Conservatoire National des Arts et Métiers de Paris, participou I Simpósio Internacional Saúde Mental e Trabalho, junho- 2012. Em sua fala ficou clara a disparidade entre as intenções reais do trabalhador e o trabalho que o mesmo deve executar, quando ele descreveu uma pesquisa realizada nos correios de Paris diretamente com os funcionários que tinham a incumbência de, além de realizar os serviços tradicionais de postagem, realizar vendas conjugadas. Segundo o professor, é sabido que os correios, não têm mais condições de sustentar-se apenas com os serviços tradicionais após a internet, sendo assim, os seus funcionários são treinados para vender produtos como caixas para sedex, por exemplo. O que foi estudado foi o efeito psicológico dos funcionários ao lidarem com uma população exigente e que não tinha uma boa adaptação à mudança. O sofrimento também era causado, pois eram clientes usuais, que, muitas vezes levavam suas caixas prontas e preparadas com esmero. O funcionário, então, tinha que dizer a esse cliente que sua caixa não era “apropriada” para o envio e tinha que vender um novo produto.

Podemos fazer um paralelo entre o trabalho exercido, no Brasil, dos funcionários que vendem “garantia estendida” de produtos sem que isso seja o desejo do comprador.

Nesse mesmo seminário, foi dado o exemplo de uma funcionária de uma grande loja de departamento brasileira que, após seguir as instruções da gerência, vendeu um produto com garantia estendida à uma senhora analfabeta tendo, inclusive, que carimbar sua digital. Após esse evento que foi ética e emocionalmente contra os valores da trabalhadora, a mesma adoeceu. Outros exemplos são, por exemplo, os de trabalhadores de serviços de telemarketing que vendem produtos que as pessoas não têm interesses, caixas de bancos que tem metas de “colocar contas em débito automático e fazer vendas” ao mesmo tempo que fazem todos os seus outros serviços, etc.

Vemos, então, e aí retornamos ao entendimento do professor Yves Clot, que as pessoas têm que optar por reações pelas quais elas não gostariam se fossem “livres” para decidir. Aquelas reações que não venceram e que foram, mais ou menos reprimidas, formariam, segundo Clot, “resíduos incontrolados cuja força é apenas suficiente para exercer uma influência na atividade do sujeito, mas contra a qual ele pode ficar sem defesa”. Em suma, o “real da atividade é também aquilo que não se faz, aquilo que não sem pode fazer, aquilo que se busca fazer sem conseguir – os fracassos –, aquilo que se teria querido ou podido fazer, aquilo que se pensa ou que se sonha poder fazer alhures” ou, o que é para ele um paradoxo frequente, “aquilo que se faz para não fazer aquilo que se tem a fazer ou ainda aquilo que se faz sem querer fazer”. E tudo isso sem contar com o que é preciso ser refeito. Essa noção representa, a meu ver, uma contribuição importante para o enriquecimento da análise ergonômica, mas, acima de tudo, deve ser percebida como um recurso inestimável para a apreensão da dimensão subjetiva da atividade, sem a qual uma verdadeira Psicologia do Trabalho jamais poderia se efetivar.

A partir desses argumentos temos que retomar o papel insubstituível do trabalho no desenvolvimento pessoal, na construção da identidade, do próprio valor e na contribuição de cada um para a formação do patrimônio histórico-cultural humano.

Todo profissional que acompanha trabalhadores afastados pelos mais diversos motivos é capaz de identificar o seu declínio social, na autoestima e, em consequência, do humor em geral. Isso quando o sofrimento emocional ainda não é agravado por uma dor crônica ou outro tipo de limitação física permanente.

Então fica a questão: “Nós, como sociedade, permaneceremos coniventes com mecanismos perversos de produção enquanto o nosso próprio capital humano adoece em números assustadores ou chegou a hora de permitir que as pessoas falem o que pensam e sentem sem que sejam punidas pelo sistema?”
Infelizmente, o que tenho visto é uma sociedade de bens de consumo descartáveis também tratando seus próprios produtores de capital como seres absolutamente dispensáveis e facilmente substituíveis.
Você não concorda?

Então reflita se nunca ouviu frases como essas:

“Ninguém é insubstituível.”
“Você não quer, tem quem queira.”
“Se você acha que o seu salário está baixo, eu te demito e contrato outro por 30% menos.”
“A porta é serventia da casa.”
 
Pense nisso.

Texto Original: Caminhos

A síndrome de governanta


Por Gustl Rosenkranz


Sobre um sério desvio de comportamento e a disputa de poder em relacionamentos com empregados e prestadores de serviços
 
Gostaria de escrever sobre algo que parece ocorrer muito quando contratamos algum empregado ou alguma prestação de serviço mais demorada. Batizei o fenômeno de “síndrome de governanta” porque o observei por muito tempo e em muitas ocasiões na área doméstica, com diaristas ou mesmo empregados, mas estou convicto de que o observado pode ser tranquilamente estendido a muitas outras áreas.

Registrei esse fenômeno pela primeira vez na casa de um casal amigo, quando o visitava em Salvador e vi que a empregada doméstica, que lá já trabalhava há longo tempo, era quem mandava na casa. Ela decidia praticamente tudo e dava até bronca nos patrões quando eles faziam algo (dentro da própria casa!) que não era de seu agrado. E o casal calava-se, baixava a cabeça e, mesmo sem gostar nada do jeito da mulher, fazia o que ela mandava. Questionei depois o porquê e eles, cochichando para a “governanta” não escutar, me explicaram que ela já trabalhava há muito tempo para eles e ameaçava ir embora toda vez que era contradita. Não foi difícil perceber que havia uma dependência, uma dependência que hoje sei que sempre existe quando um relacionamento de trabalho é acometido por essa síndrome.

Vi esse tipo de coisa acontecendo com várias pessoas e eu mesmo fiz minhas experiências. Quando vivia em Munique, tive, por exemplo, uma diarista que vinha limpar o apartamento uma vez por semana. Tenho que admitir que a mulher trabalhava muito bem. A casa ficava totalmente limpa, ela não tinha preguiça de arrastar móveis ou subir em escada e limpava até cantos que eu mesmo jamais limparia por serem de difícil acesso. E, no início, tudo correu bem, tanto que eu a recomendava a outras pessoas, dando sempre boas referências. Ela até fazia bem mais do que acertado, fazendo bolos quando eu ou alguém próximo a mim tinha aniversário, cuidava de meu filho, satisfazendo suas vontades e administrava tudo tão bem que também no meu caso foi surgindo uma dependência, com ela assumindo cada vez mais funções em minha vida e eu aceitando com gratidão e por comodismo.
Com o passar do tempo, a coisa foi piorando, com essa mulher começando a dar palpites em minha vida, querendo controlar tudo, chegando ao ponto de eu certa vez chegar à sala e procurar um pequeno vaso que havia ganhado de presente de uma amiga, sem encontrá-lo em lugar algum. Imaginei que a diarista o havia guardado e lhe perguntei então quando ela veio alguns dias depois. Jamais esquecerei o que então ocorreu: a mulher, sem qualquer constrangimento, me disse que havia jogado “aquele troço feio” fora, pois não combinava com minha casa. Fiquei primeiro pasmo, sem conseguir dizer uma palavra, mas depois, indignado com o absurdo da coisa, disse-lhe claramente, porém com diplomacia, que ela havia ultrapassado um limite e pedi que jamais repetisse tal atitude, já que a casa seria minha e era eu quem decidia se algo deveria ser jogado fora ou não. Para minha surpresa, a mulher, ao invés de se desculpar, fez cara feia, torceu os beiços e ameaçou ir embora, no mesmo comportamento da empregada de meus amigos em Salvador.

Nada satisfeito, calei-me assim mesmo porque não queria que ela se fosse (relacionamento de dependência!), mas, no fundo, já sabia que os dias dela em minha casa estariam contados. Ela trabalhou para mim ainda por um tempo, com a situação piorando cada vez mais, com a mulher se espalhando em minha casa e minha vida e com ambos de cara feia: eu porque não gostava daquele seu comportamento e ela por eu não aceitar a autoridade que ela acreditava ter. Bom, a coisa terminou num dia quando eu estava na sala, falando ao telefone com um cliente e ela entrou para limpar, fazendo muito barulho e dando-me a impressão de querer incomodar de propósito. A “brincadeira” acabou quando ela chegou perto de mim, ficou escutando a conversa e dando palpites sobre o que eu falava com o cliente. Pedi desculpas ao cliente, disse que retornaria a ligação mais tarde, levantei e a mandei embora de imediato.

Conheço tantos exemplos que não acredito que se sejam casos isolados. Lembro-me, por exemplo, de um conhecido, que tinha um sítio e contratou um rapaz para trabalhar lá. Esse conhecido tratava o empregado muito bem, na verdade como se fosse alguém da família, pagava bem e o dava toda liberdade possível. Também aqui a coisa funcionou direitinho no início, mas mudou com o tempo, com o rapaz se espalhando cada vez mais, fazendo as coisas como achava que deveria fazer e ignorando as instruções do patrão, que viajava muito e tinha muitas surpresas quando chegava de viagem e via que o rapaz, na verdade, se comportava como se ele fosse o dono do sítio e o patrão um visitante qualquer.

Interessante é que todos os casos observados tinham características comuns: os patrões eram pessoas corretas e justas, que tratavam os empregados/prestadores de serviços com respeito, os empregados/contratados sempre se esforçavam muito no começo, fazendo normalmente bem mais que sua obrigação, o que sempre gerava uma situação de dependência para o patrão.

Refleti sobre o que estaria por trás disso e me parece que o problema está na necessidade humana (ou pelo menos de determinados seres humanos) de exercitar poder. Sabemos que empregados muitas vezes são maltratados e às vezes até humilhados por patrões – o que é um absurdo evidente! Esses empregados aceitam isso por dependerem financeiramente desses patrões. Quando eles então trabalham para alguém que age de forma diferente, tentando ser justo e tratando empregados com respeito e dignidade, veem então esse patrão como uma pessoa fraca, sem autoridade. No início, os empregados, que precisam trabalhar para sobreviver, agem com humildade e aceitam as regras, mas, com o passar do tempo, tentam dominar os patrões “fracos” que, em seus olhos, não precisam ser temidos e muito menos respeitados. Eles criam então primeiro uma situação de dependência para se sentirem numa posição mais forte, fazendo depois uso desse suposto poder contra aqueles que lhe acolheram e deram trabalho.

Constato que isso não ocorre somente no ambiente doméstico e não somente entre patrões e empregados. Todos nós conhecemos situações em lojas, por exemplo, quando precisamos da ajuda de algum vendedor e somos tratados como se estivéssemos pedindo algum favor, sentindo na pele o desprezo daqueles que estão ali, ganhando para nos atender, mas que acham que são eles que determinam as regras do negócio. E quem não conhece os atendentes de consultórios médicos que usam de seu poder (já que normalmente não temos acesso aos médicos sem passar por eles!) para humilhar e tratar mal os pacientes?

Bom, como então lidar com isso? Penso que seria uma solução errada fazer o mesmo, demonstrar poder e tratar essas “governantas da vida” sem o devido respeito e humilhando-as, como, infelizmente, muitos fazem. Muito mais inteligente e eficaz seria, em minha opinião, manter sempre uma distância saudável, evitando um relacionamento muito pessoal e frisando o lado profissional, sendo gentil, justo e humano, mas exigindo o claro cumprimento de regras desde o início, cortando de imediato qualquer desvio de comportamento e deixando sempre evidente o papel de cada um no relacionamento trabalhista/de negócio. Se nada disso funcionar, devemos cortar radicalmente o relacionamento, mandando o empregado embora, procurando outra loja ou falando com a gerência ou alertando o médico/a médica sobre a postura de seus atendentes, trocando de consultório se não houver uma solução satisfatória. E, quando um corte radical não for possível, por mais forte que seja a tentação, nunca devemos entrar numa disputa de poder, pois isso, além de desgastante, não é necessário, já que você como patrão (ou como cliente/paciente) já se encontra no lado mais forte. Só basta ter consciência disso e se posicionar claramente, recusando os abusos das “governantas” que cruzam nosso caminho.

Texto Original: Caminhos

terça-feira, 26 de abril de 2016

7 dicas para suportar um dia de trabalho depois de dormir mal




Por Luciana Galastri

Você dormiu mal a noite passada. Ou não dormiu. Mesmo assim, tem um dia importante pela frente - uma prova, uma reunião no trabalho - e precisa estar "inteiro" para aguentar as atividades. Apesar de especialistas alertarem que não há como substituir as horas de sono perdidas, há maneiras de amenizar os seus efeitos adversos.

Separamos algumas dicas, reunidas pelo pessoal da NyMag. Confira:

Não aperte o botão soneca - aqueles 10 minutos extras de sono podem parecer maravilhosos na hora, mas esses cochilos não te ajudam a descansar mais, nem a te deixar mais alerta na hora de acordar. A dica do especialista em sono de Harvard, Orfeu Buxton, é colocar o despertador para o último minuto possível, quando você absolutamente precisa sair da cama. Dessa forma, você tem mais tempo de sono restaurador.

Não pule o café da manhã - faça sua primeira refeição até uma hora depois de acordar. Estudos mostram que isso estimula sua performance cognitiva. E, apesar da vontade de comer um doce, muitos carboidratos e açúcar não são uma boa escolha: tudo o que causa um pico de açúcar ou insulina pode te deixar com mais sono depois. De acordo com Buxton, o açúcar é como um botão de soneca - vai te ajudar por alguns minutos e, depois, você terá que lidar com as consequências.

Tome um pouco de cafeína - de acordo com especialistas, a dose ideal é 400 miligramas de cafeína por dia. Uma xícara de café tem cerca de 100 miligramas. Distribua suas xícaras de café por seu dia.

Dê uma volta - a luz do dia pode te ajudar a se sentir mais alerta, de acordo com Sean Drummond, psiquiatra da Universidade de Califórnia em San Diego. Para isso, o ideal não é usar óculos escuros. Se você puder, faça uma caminhada a um ritmo mais acelerado ou corra um pouco.

Tarefas difíceis primeiro - deixe a procrastinação de lado. Se você precisa trabalhar em algo difícil, encare essa tarefa como uma prioridade e inicie seus trabalhos assim que possível. E isso tem uma explicação simples - como você não dormiu bem, a tendência é que você fique ainda mais cansado durante o dia. Então você estará mais alerta/disposto logo nas primeiras horas de trabalho.

No almoço, escolha alimentos leves - grãos integrais, vegetais, proteína magra. Todo mundo fica com mais sono depois do almoço e uma refeição pesada só vai potencializar o seu cansaço.

Durante a tarde, cumpra tarefas 'braçais' - por mais que você trabalhe em um escritório. Organize seus arquivos, responda a todos os e-mails, limpe a mesa. Como você já fez o trabalho mais difícil pela manhã, agora é a hora de fazer tarefas mecânicas, que não demandem muito esforço cognitivo.

Consegue dormir por poucas horas, sem problemas? Talvez você tenha uma alteração genética - saiba mais aqui. 

Texto Original: Galileu