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segunda-feira, 2 de maio de 2016

O circuito cerebral da maldade


Psicopatas têm uma conexão mais “frouxa” entre áreas neurais que processam as emoções, mostra um estudo da Universidade de Chicago. Usando a tecnologia de ressonância magnética funcional (fMRI), a equipe coordenada pelo psicólogo Jean Decety captou imagens do cérebro de 121 presidiários enquanto olhavam fotografias de pessoas sentindo dor em situações corriqueiras, como prendendo o indicador em uma gaveta ou topando a unha do dedo do pé na parede. Eles foram orientados a imaginar aquilo acontecendo com eles mesmos ou com alguém próximo – uma conhecida técnica de mudança de perspectiva que costuma despertar a empatia, isto é, a capacidade de reconhecer e experimentar os sentimentos alheios.

A resposta neural de todos os voluntários foi equivalente quando se imaginaram na situação: foram acionados, normalmente, centros de percepção da dor e das emoções. O resultado, porém, foi diferente quando eles pensaram em outra pessoa. Presidiários que tiveram pontuações mais altas em um teste que avaliava os níveis de psicopatia, aplicado antes do experimento, revelaram menor coordenação entre o funcionamento da amígdala – região crucial no processamento de emoções, principalmente o medo –, e do córtex pré-frontal ventromedial, área com participação importante no autocontrole, na empatia e na moralidade. “Algumas imagens até sugerem que foram ativadas regiões associadas ao prazer”, diz Decety.

Segundo o psicólogo, algumas áreas que se comunicam de maneira menos eficiente na psicopatia “são essenciais para experimentar a sensação de se importar com o outro, característica que parece de todo ausente nos psicopatas”. Decety acredita que em breve estudos com neuroimageamento poderão ser úteis para avaliar a eficácia do tratamento com terapia cognitivo-comportamental (TCC) para a psicopatia. “O fortalecimento das conexões pode ser indicativo de que as estratégias para estimular a empatia estão dando certo”, diz.

Fonte: UOL

“Bondadismo” – A doença do bonzinho


 

“Bondadismo” não é um termo clínico, mas pode ser conhecido também como “Síndrome do Bonzinho”.

Afinal, você anda se sentindo explorado pelas pessoas? Sente que tem dificuldade de dizer “não”, mesmo para quem te faz mal? Caso a resposta seja “sim”, então esse texto poderá te ajudar.

Esse problema é mais comum entre mulheres por serem mais afetivas, e algumas, por terem sido fortemente influenciadas na infância com uma cultura de total submissão por parte do pai e da mãe.

Nos homens, um dos motivos recorrentes é a insegurança que talvez tenha tido sua origem na ausência do pai. Eles não são assertivos, e temem conflitos externos. Por isso aceitam tudo que lhes é imposto.

Não é fácil chegar a conclusão sobre quem pode ou não sofrer de “bondadismo”. E temos que tomar cuidado para não confundir qualidades como generosidade e bondade – pois essas são espontâneas – elas não carregam nenhuma segunda intenção e nenhum tipo de barganha.

A bondade do bonzinho (a) é fruto de uma carência que deseja colecionar amigos e admiradores. Eles usam seus favores para manipular e terem aceitação. Pois sabem que dificilmente alguém terá a coragem de dizer alguma coisa contra sua “boa vontade”.


Algumas características do “bonzinho”:
  • Eles carregam a obsessão de serem reconhecidos como “pessoa boa”.
  • Geralmente são carentes ao extremo e sentem uma necessidade enorme de serem reconhecidos pela “bondade” que praticam.
  • São pessoas um tanto depressivas. O fato de nunca serem tratadas de acordo como tratam os outros, as deixam profundamente tristes.
  • Oferecem-se sem limites, e ficam aflitos para prestar favores mesmo que não sejam solicitados.
  • Se zangam quando as pessoas põem limites em sua bondade.
  • Se magoam e se frustram facilmente. São hiper sensíveis.
  • Eles nunca conseguem dizer “não”, mesmo quando são explorados pelos outros.

6 dicas que podem te ajudar a se livrar desse comportamento auto destrutivo:

  1. O bom senso exige equilíbrio. É necessário que você aprenda a respeitar o espaço e a intimidade das pessoas.
  2. Regra básica: Você só será amado quando desenvolver a capacidade de se amar primeiro.
  3. Nunca preste um favor do qual não tenha sido solicitado. Exceto em situações emergenciais.
  4. Entenda que nem todos gostarão de você. E isso não deve ser encarado como um defeito seu, e sim consequências naturais da vida e questões de afinidade.
  5. Pratique a bondade e generosidade. Mas coloque limites em si mesmo. Lembre-se de que nem todos querem ou precisam da sua ajuda.
  6. Não dê tanta importância aos julgamentos alheios. Aprenda a dizer “não” quando necessário for.

Conclusão:

Lembre-se que até bondade em excesso faz mal, como tudo na vida. Nossa generosidade deve ser fruto de um coração limpo de qualquer interesse ou carência, e deve estar baseado apenas em nosso caráter. Não seja “bonzinho”, seja bom.

Texto Original: Caminhos

Solidão realmente pode matar


Por

Ninguém morre de amor. Mas se você estiver longe dos amigos e da família sua vida pode durar menos do que você espera. Por via das dúvidas, para fugir dos riscos, o CIÊNCIA MALUCA recomenda: convide um amigo para tomar um café imediatamente após ler este post.

É sério, uma pesquisa realizada por médicos americanos pode te convencer disso. Eles avaliaram se morar sozinho aumentava a chance de morrer. Entre as 45 mil pessoas investigadas – e mortas –, cerca de 20% levavam uma vida solitária. Viver sem amigos cortou, em média, 4 anos da vida dessa galera.

Segundo os pesquisadores, o isolamento social parece deixar as pessoas mais estressadas (os hormônios ficam desregulados), distantes do sistema de saúde e aumentar a chance de sofrer algum problema no coração. Além disso, viver sem ninguém acaba com a influência positiva que qualquer um pode causar em você (tipo quando alguém quer levantar o seu humor…).

Só fogem da regra os senhores com mais de 80 anos. Eles parecem não se abalar muito com a solidão. Não é pra menos, já imaginou quantas pessoas eles já viram ir embora? Dá quase pra se acostumar, né?

Outro estudo da Universidade da Califórnia acompanhou por seis anos mais de mil voluntários – solitários ou não. E chegou à mesma conclusão. Entre aqueles que se sentiam sozinhos, o risco de morte era quase 9% superior ao dos velhinhos cheios de amigos e as chances de ter algum problema nas atividades motoras subia quase 12%.

E aí, já marcou o café?

Texto Original: Superinteressante

O que suas músicas favoritas dizem sobre o funcionamento do seu cérebro


Por que você adora certos tipos de música e detesta outros? A resposta pode estar na forma como o seu cérebro processa a informação.

Os psicólogos já sabem que as preferências musicais estão associadas à personalidade, mas um novo estudo descobriu que o seu gosto musical também está associado com a sua maneira de pensar.

Um estudo da Universidade de Cambridge, que foi publicado quarta-feira no jornal online PLOS One, descobriu que pessoas que têm muita empatia preferem música "suave" - incluindo R&B/soul, música contemporânea para adultos e soft rock - enquanto que aquelas com mentes mais analíticas tendem a preferir música "intensa" - como o punk, heavy metal e hard rock.

Taylor Swift ou AC/DC?


Para o estudo, os pesquisadores britânicos recrutaram mais de 4.000 participantes usando um aplicativo no Facebook. Os participantes preencheram questionários de personalidade, e, em seguida, foram convidados a ouvir e avaliar 50 canções diferentes de gêneros variados.

Os pesquisadores descobriram que indivíduos empáticos ("empatizadores") tendem a preferir música mais emocional, enquanto pessoas com mentes mais analíticas ("sistematizadores") tendem a gostar de música com maior complexidade sonora.

"Os empatizadores, que têm desejo de entender os pensamentos e sentimentos dos outros, preferem música... é a que tem como característica uma menor energia, as emoções negativas (tais como tristeza) e profundidade emocional", disse David Greenberg, candidato a Ph.D. em Cambridge e principal autor do estudo, ao jornal The Huffington Post por email. "Por outro lado, sistematizadores, que desejam compreender e analisar os padrões que sustentam o mundo, a música preferida... é a que não apresenta só como característica maior energia e emoções positivas."

Por quê? Os pesquisadores acreditam que as pessoas procuram músicas que reflitam e reforcem os seus próprios estados mentais.

"As escolhas musicais das pessoas parecem ser um espelho de quem elas são", disse Greenberg.

Como isso poderia ajudar


Um próximo passo para a pesquisa seria determinar se a música com profundidade emocional pode realmente aumentar a empatia.

Se sim, podem ser criadas terapias que utilizem a música para aumentar a empatia. Em especial, elas poderiam ajudar pessoas com autismo, que muitas vezes têm um nível de empatia abaixo da média, mas elevados níveis de sistematização.

"Os resultados desta linha de pesquisa podem ser aplicados a terapias de música, intervenções clínicas e até programas interativos baseados em computador que são projetados para ensinar emoções e estados mentais através da música para indivíduos do espectro autista", escreveram os autores do estudo.

Ou os resultados seriam apenas usados para otimizar as recomendações de "descoberta" do Spotify? "Não apenas esses resultados são úteis para os médicos em várias [situações] terapêuticas," disse Greenberg", mas isso também pode ser útil para a indústria da música e para as plataformas de recomendação musical como o site Pandora e o Apple Music."

Texto Original: Huffpost

domingo, 1 de maio de 2016

Complexo de Inferioridade: entenda o que é e saiba como se livrar dele


Por Mariane Montedori

Entender o que se passa com nossos sentimentos é o segredo para encontrar o bem-estar interior. Muitas vezes, temos a sensação de que não somos competentes o suficiente para algo, ou ainda, para alguém. E mais do que isso, situações rotineiras acabam nos levando a beira do abismo. Entender que sentir-se inferior é um complexo pode te ajudar a reverter a situação e ser mais feliz.

Se situações do trabalho te fazem sentir menos que alguém, ou se um mulher bonita te deixa tão mal a ponto de desistir de sair ou criar 'picuinhas' com seu namorado, significa que você tem complexo de inferioridade. É normal nos sentirmos assim vez ou outra, mas quando a situação leva a loucuras e gera situações que poderiam ser evitadas se não fosse a sua 'piração', é hora de procurar ajuda.

Foto: Divugação.
O primeiro passo para encontrar o equilíbrio é controlar os pensamentos de comparação
O primeiro passo para encontrar o equilíbrio é controlar os pensamentos de comparação
A denominação "complexo de inferioridade" foi criada por Alfred Adler (1870-1937), médico psiquiatra, para designar sentimentos de insuficiência e até incapacidade de resolver os problemas, o que faz com que a pessoa se sinta um fracasso em todos, ou em alguns aspectos de sua vida. É o que hoje chamamos de baixa auto-estima, que é quando não se tem consciência de seu valor pessoal. A baixa auto-estima pode comprometer todos os relacionamentos, seja pessoal, profissional, afetivo, familiar, social. Esse complexo pode ter origem na infância, especialmente em três situações especial que tendem a resultar no complexo de inferioridade:

1. Rejeição: A criança não encontra na família o apoio necessário para seu desenvolvimento emocional. Muitas vezes, uma gravidez indesejada por exemplo, pode resultar na falta de amor, na falta de compreensão, na falta de carinho - fatores essenciais para a criança desenvolver a confiança. Ou seja, se ela não sente confiança em suas habilidades e não se sente digna de receber amor e afeto dos outros, quando adulta, a tendência é que ela venha a se tornar uma pessoa mais fria, dura, ou extremamente carente e dependente da aprovação e reconhecimento de outras pessoas. Quanto mais necessidade de ser aprovado e reconhecido pelo outro, mais se desenvolve a necessidade de agradar. Isso faz com que as pessoas deixem de ser elas mesmas, tornando-se o que os outros gostariam que ela fosse, ou o que pensa que gostariam, reforçando cada vez mais o sentimento de inferioridade, pois não satisfazem a si mesmas.

Você também poderá se interessar por:
- Limpeza facial: aprenda a retirar impurezas da pele em casa
- Como superar o desafio de ser pai e mãe, sem deixar de ser marido e mulher 
 
2: Mimo: O contrário da falta de afeto também pode resultar em complexo. Isso porque uma criança excessivamente mimada e/ou superprotegida pode desenvolver um sentimento de insegurança, por não sentir confiança em suas próprias habilidades, uma vez que os outros sempre fizeram tudo por ela.

3. Inferioridade Orgânica: Refere-se a inferioridade por conta do aspecto físico, seja ele uma doença ou enfermidade, ou ainda um excesso de peso, por exemplo. A criança que sofre com esse tipo de 'preconceito' tende a se isolar, até mesmo por conta de bullying. E isso acontece justamente como fuga da interação com outras crianças por um sentimento de inferioridade ou incapacidade de competir com sucesso com elas.

Obviamente, cada item deve ser tratado de uma forma específica, mas para ambos, é necessário que exista um incentivo a superação de suas dificuldades, seja para compensar a fraqueza física, seja para encontrar um apoio.

Como se Livrar do Complexo de Inferioridade?

Agora que somos adultos e temos como avaliar tal situação, cabe a nós mesmos reverte-la para encontrarmos a felicidade pessoal. A melhor forma é procurar ajuda especializada, como um psicólogo por exemplo. No entanto, atitudes simples podem ajudar no seu equilíbrio emocional:

- Evite comparações. A principal característica do complexo de inferioridade é ficar se comparando com outros, ou comparar o seu relacionamento com os de outros. A verdade é que essa comparação nunca é positiva e não vai te fazer se sentir melhor, pois as pessoas são diferentes, possuem necessidades, desejos e históricos de vidas diferentes. Então, quando esse sentimento de comparação chegar, exercite seu cérebro para tomar o controle e mude o caminho de seus pensamentos. A primeira etapa é justamente ensinar a mente a mudar o caminho do pensar.

- Compreenda seu histórico de vida e a origem de seu sentimento de inferioridade. Por qual motivo se sente inferior? Não desista, compreenda suas dificuldades e procure enfrentar cada uma delas. Para isso, faça uso de outras ferramentas para olhar a situação. Como você está acostumado a ter esses pensamentos de inferioridade, seu cérebro já anda nessa direção. Então, identificando este percurso, procure agora analisa-lo por outros ângulos. Descubra dentro de você o porquê das coisas, vasculhe sua infância e entenda que só você tem o poder de fazer diferente.

- Enfrente o medo. É importante lidar e enfrentar o medo que as pessoas ou situações provocam e compreender que a percepção de si mesmo está baseada na conseqüência de fatos que já passaram. Você não pode mudar seu passado, mas pode mudar seu presente para alcançar o futuro que almeja.

- Reconheça seu valor. Perceba que seu valor enquanto pessoa não pode e nem deve ser baseado na maneira como foi, ou ainda é tratado, ainda que isso tenha durado toda sua vida. Não permita mais ser desrespeitado ou maltratado. Lembre-se ainda que seu valor deve ser baseado pelo que é e não pelos bens materiais que possui. Imagine o que quer ser. E faça ser.

- Identifique suas necessidades emocionais. O que você espera receber dos outros pode ser aquilo que não recebeu quando criança de seus pais. Não espere receber dos outros o que só você mesmo pode se dar.
 
- Aprenda com os erros.  Não fique se punindo por ter errado, nem se acomode nas situações. Saia de sua zona de conforto e mude o que deseja!

- Valorize sempre suas conquistas! Pare de supervalorizar o que o outro tem ou faz e desvalorizar as próprias conquistas. Celebre sempre!

- Faça psicoterapia. Não é porque está em último lugar, que é menos importante. Na verdade, a psicoterapia deve ser o primeiro passo para tudo. O autoconhecimento obtido através do processo da psicoterapia poderá fazer com que reconheça seus reais valores e liberte-se do complexo de inferioridade que acorrenta e aprisiona.

Texto Original: RAC

Vi, preferindo não ver…



Vi olhares perdidos e olhos profundos, marcados pelo sofrimento, pelo cansaço e por noites mal dormidas, semblantes escuros curtidos pelo sol, rostos envelhecidos precocemente, bocas sem dentes, mãos enrugadas e pele seca.
Vi olhos famintos nas filas de supermercado, comprando pouco, desejando mais. Vi gente enchendo o carrinho de compras, sonhando ser rica por um instante, “comprando” de tudo que é caro e que se crê que seja bom, porém, sem dinheiro que permitisse tamanha aquisição, mas sonhando pelos corredores até chegar ao caixa, puxando da montanha de consumo somente um quilo de açúcar e uma margarina da marca mais barata, pagando cabisbaixo com dinheiro contado e retirando-se envergonhado pela humilhação, sóbrio com a realidade lá de fora e também lá de dentro de sua casa.
Vi pessoas penduradas em portas de ônibus, em dia de chuva, sendo transportadas de forma mais perigosa que gado, esses mais valiosos para os proprietários do que gente de periferia para a sociedade.
Vi uma obra de metrô enorme, cara, feia e inacabada, resultado de corrupção e falta de escrúpulo de governantes e empresas, que se enriquecem cada dia mais às custas de um povo sofrido.
Vi pés saindo de uma caixa de papelão, que desmontada e rasgada servia de cobertor e abrigo para dormir, ou para fingir que dorme para distrair a fome, cobrindo até o rosto, deixando livres somente aqueles pés negros e sujos, marcados por muitas andanças e com unhas podres, corroídas por algum fungo.
Vi rostos medrosos diante da violência, rostos voltados para o chão, enquanto bandidos fardados pregavam hipocritamente que eram bandidos aqueles cidadãos, pobres, negros e mulatos, que por serem muitos e não serem nada, não tinham reconhecido seu direito de ser gente.
Vi polícia batendo, gente apanhando, outros rindo e regozijando-se pela miséria de outros coitados, esquecendo-se que eram eles mesmos coitados também, rindo talvez por desconcerto, desconforto ou gratidão e medo, por saberem que a próxima talvez seria sua vez, de tomar tapas, de ser xingado ou mesmo levar bala, mesmo sem nada ter feito, talvez por somente serem pobres (e negros?).
Vi pessoas vivendo em casas sem reboco, por falta de dinheiro, mas gastando dinheiro para comprar cerveja, vinte reais que faltam para um saco de cimento, mas cinqüenta que bastam para uma grade de cerveja, contradições alcoólatras, coisas sem nexo, porém reais.
Vi celulares passeando pelas ruas, levando pessoas puxadas pelas orelhas, as dominando, as escravizando, tornando-as dependentes, apêndices de um aparelho vivo, claro, mas muitas vezes morto por falta de crédito.
Vi homens rebolando, bêbados, drogados, perdidos, muitas vezes armados, animais, gritando, azucrinando outros, música alta, pagode solto, palavrões e canções, texto “infantil”, insensato, sexista, imbecil.
Vi cães maltratados por pessoas egoístas, que os tratavam como gente, ou melhor que gente, com tudo em excesso, carinho, comida e até roupa, paparicos e beijinhos, os carregando no colo e se autojulgando justos protetores de animais, mas enxotando meninos que pediam comida. Vi outros cães maltratados pela pobreza e por pobres, que gostam de bichos, mas não os respeitam, já que eles mesmos nunca foram respeitados. Vi outros cães soltos nas ruas, calazar e sarnas, pulgas e carrapatos, vivendo de lixo e pedradas, sentindo na pele e no pêlo o que é viver no meio dos homens sem serem desejados.
Vi olhos jovens cheios de esperança e utopia, desejos e otimismo, mas se perdendo aos poucos no mundo insano e alcoolizado dos adultos. Outros olhos jovens avermelhados, vazios, devassados, acusando a droga no sangue e na mente. Jovens que vão à escola e pouco ou nada aprendem, ou que não vão à escola e aprendem da vida e da rua. Vi o futuro do país sendo desperdiçado, comido pelas drogas, violentação social daqueles que terão que consertar uma realidade sem conserto que herdarão de nós.
Vi crentes descrentes, gritando para Deus como se ele fosse surdo e demonizando tudo à sua volta, falando de amor por alto-falantes, mas sem amar, exigindo tolerância sem tolerar, chamando o candomblé de coisa do diabo, discriminando homossexuais abertamente, construindo templos assustadores, hipocrisia cristã baseada em evangelho torcido em nome do Pai.
Vi meninas moças sendo assediadas por homens adultos, pais, avôs, tios e vizinhos, turistas e até professores, abusando de forma extremamente animal daquilo que deveria ser o mais sagrado: da inocência infantil.
Vi gente “fina” tapando o sol com a peneira, vivendo na ilusão ilusória de quem se julga ser mais do que é, gente que se acha importante, seres superiores, que não assumem seu papel e sua obrigação naquele cenário tão injusto, simplificando o complexo e culpando o pobre pela pobreza que lhe é imposta.
Vi gente se enganando, entregue ao consumo, “curtindo” a vida, festejando todos os dias uma festa eterna, sem assumir sua responsabilidade adulta pela realidade à sua volta.
Vi miséria, injustiça, ignorância e indiferença, uma sociedade imatura que pouco faz e muito promete. Vi gente sofrida aplaudindo políticos ladrões como se fossem deuses. Vi gente se humilhando e chamando “rico” de “doutor”, doutorecos cheios de doutorices, mas que nada sabem e pouco têm a oferecer .
Vi tudo isso. Vi a Bahia. E fiquei triste.

Texto Original: Caminhos

Pessoas que leem são mais legais


Por

Pesquisadores da Universidade de Washington e Lee (EUA) constataram esse efeito com um teste bem simples: colocaram voluntários para ler uma história bem curtinha, fizeram algumas perguntas para identificar o quanto cada um tinha curtido o que leu e aí derrubaram, sem querer querendo, um monte de canetas no chão. O estudo conta que, quanto mais “transportadas” para dentro da história as pessoas tinham sido, maiores eram as chances de levantarem o bumbum da cadeira para ajudar a recolher as canetas.

A explicação é que quando lemos algo que realmente mexe com a gente, criamos empatia pelos personagens da história — e quanto maior essa empatia, mais propenso a gente fica a ser bacana com os outros na vida real. E você aí, anda lendo muito?

Texto Original: Superinteressante

sábado, 30 de abril de 2016

A TRISTEZA PERMITIDA


Se eu disser pra você que hoje acordei triste, que foi difícil sair da cama, mesmo sabendo que o sol estava se exibindo lá fora e o céu convidava para a farra de viver, mesmo sabendo que havia muitas providências a tomar, acordei triste e tive preguiça de cumprir os rituais que faço sem nem prestar atenção no que estou sentindo, como tomar banho, colocar uma roupa, ir pro computador, sair pra compras e reuniões – se eu disser que foi assim, o que você me diz? Se eu lhe disser que hoje não foi um dia como os outros, que não encontrei energia nem pra sentir culpa pela minha letargia, que hoje levantei devagar e tarde e que não tive vontade de nada, você vai reagir como?
Você vai dizer “te anima” e me recomendar um antidepressivo, ou vai dizer que tem gente vivendo coisas muito mais graves do que eu (mesmo desconhecendo a razão da minha tristeza), vai dizer pra eu colocar uma roupa leve, ouvir uma música revigorante e voltar a ser aquela que sempre fui, velha de guerra.
Você vai fazer isso porque gosta de mim, mas também porque é mais um que não tolera a tristeza: nem a minha, nem a sua, nem a de ninguém. Tristeza é considerada uma anomalia do humor, uma doença contagiosa, que é melhor eliminar desde o primeiro sintoma. Não sorriu hoje? Medicamento. Sentiu uma vontade de chorar à toa? Gravíssimo, telefone já para o seu psiquiatra.
A verdade é que eu não acordei triste hoje, nem mesmo com uma suave melancolia, está tudo normal. Mas quando fico triste, também está tudo normal. Porque ficar triste é comum, é um sentimento tão legítimo quanto a alegria, é um registro de nossa sensibilidade, que ora gargalha em grupo, ora busca o silêncio e a solidão. Estar triste não é estar deprimido.
Depressão é coisa muito séria, contínua e complexa. Estar triste é estar atento a si próprio, é estar desapontado com alguém, com vários ou consigo mesmo, é estar um pouco cansado de certas repetições, é descobrir-se frágil num dia qualquer, sem uma razão aparente – as razões têm essa mania de serem discretas.
“Eu não sei o que meu corpo abriga/ nestas noites quentes de verão/ e não me importa que mil raios partam/ qualquer sentido vago da razão/ eu ando tão down…” Lembra da música? Cazuza ainda dizia, lá no meio dos versos, que pega mal sofrer. Pois é, pega mal. Melhor sair pra balada, melhor forçar um sorriso, melhor dizer que está tudo bem, melhor desamarrar a cara. “Não quero te ver triste assim”, sussurrava Roberto Carlos em meio a outra música. Todos cantam a tristeza, mas poucos a enfrentam de fato. Os esforços não são para compreendê-la, e sim para disfarçá-la, sufocá-la, ela que, humilde, só quer usufruir do seu direito de existir, de assegurar seu espaço nesta sociedade que exalta apenas o oba-oba e a verborragia, e que desconfia de quem está calado demais. Claro que é melhor ser alegre que ser triste (agora é Vinícius), mas melhor mesmo é ninguém privar você de sentir o que for. Em tempo: na maioria das vezes, é a gente mesmo que não se permite estar alguns degraus abaixo da euforia.
Tem dias que não estamos pra samba, pra rock, pra hip-hop, e nem pra isso devemos buscar pílulas mágicas para camuflar nossa introspecção, nem aceitar convites para festas em que nada temos para brindar. Que nos deixem quietos, que quietude é armazenamento de força e sabedoria, daqui a pouco a gente volta, a gente sempre volta, anunciando o fim de mais uma dor – até que venha a próxima, normais que somos.
Martha Medeiros é jornalista e escritora brasileira
A crônica transcrita acima, faz parte do Livro “Doidas e Santas”

Da vida quero o que é simples, mas de boa qualidade



Por Clara Baccarin

Da vida quero o que é simples, mas de boa qualidade.

Troco um jantar requintado por um arroz-feijão feito em casa refogado com muita cebola, alho e papo furado.

Gosto dos sentimentos simples, mas bem temperados. Do sorriso caseiro com uma pitada de pimenta. Das receitas simples de felicidade, fáceis de decorar, de seguir e de ensinar. Gosto de um canteiro de afeto cultivado no aparador da janela. Do cheiro acolhedor invadindo a casa e os corações. Das falas fáceis, da risada solta, dos medos guardados do lado de fora da porta de entrada.

Gosto de comer me reconhecendo nos sabores. De lembrar a riqueza que é apreciar sentimentos familiares. Gosto de me sentir em casa dentro de mim quando estou perto do outro.

O meu castelo é de fantasia, construído dentro da casinha simples do interior. Nele, as paredes não possuem muitos quadros, a cozinha não precisa de muitos apetrechos, os armários não guardam grandes segredos. Mas as janelas são amplas, boas de se perder a vista.

No meu lar não sei receber visitas ilustres, cheias de etiquetas, de pompas e de mistérios. Este lar é ‘pobre’, porém limpinho. Quem chega descalçando os sapatos é bem vindo. E também são bem vindos aqueles que se deixam invadir sem medo, daquele jeito ingênuo de quem nunca percebeu as segundas intenções do mundo. Aqueles que tratam até os estranhos como ‘de casa’. E eu, se preciso, jogo mais água no feijão para fazer render a amizade e a boa companhia.

É que aqui, os sentimentos são antigos, talvez até antiquados, cozidos em panela velha, devem ser resultado de receita de avó.

As tarefas da casa são simples, mas há de executa-las com carinho. Qualquer frescura pode ser substituída por uma boa dose de afeto. E no final do dia, uma mão lava a outra.
Às vezes as roupas sujas se acumulam num canto da casa, mas a gente perde um tempo e lava tudo aqui dentro mesmo, no dia seguinte fica tudo às claras outra vez. As mágoas vão para o ralo junto com a espuma do sabão de coco.

Da vida quero o que é simples mas de boa qualidade. Quero pessoas que trazem o que podem, mas se compartilham por inteiro e quando se afastam, carregam lembranças bem nutridas e corações satisfeitos.

“Síndrome do Sofrimento Posterior”



Por

Sofro da “Síndrome do Sofrimento Posterior”. Lido bem com as situações de crise, desde que eu tenha liberdade suficiente para chorar depois. Na hora do acontecimento, mantenho a calma, raciocínio devagar, controlo a respiração, faço o que for preciso sem afobação.

Ajudo o doente, ligo para o hospital com a maior destreza do mundo. Aviso a família com a cautela que previne o susto. Passo o café. Escondo o tremor da voz. Atendo todas as ligações e conto a mesma história quinhentas e setenta e sete vezes com paciência de monge. Distribuo água, digo as palavras certas, acalmo os desesperados, consolo os tristes e fico atenta a cada movimento do doente até o socorro chegar. Cumpro todas as etapas com louvor. Os braços se multiplicam para alcançar os que choram ao meu lado. Dissolvo as lágrimas de tanto apertá-las contra as paredes da retina. Não posso me desmanchar antes de receber a notícia de que tudo não passou de um susto, e que agora já é possível desembrulhar os cobertores e dormir em paz.

O paciente recebe alta, se liberta das gazes, das parafernálias que o prendem ao soro e eu sento e choro desesperadamente. Choro o susto atrasado, sofro com as lágrimas que amarrotaram as faces dos amigos, com os olhares apreensivos na sala de espera.

Sofro o déjà-vu da notícia, o flasback do sinistro, mesmo sem querer. Sem programar. Sem procurar por isso. A repetição é automática. Por mais que eu me previna tentando não ceder, dou de cara com a reconstituição da quase tragédia. O susto de antes vira o fantasma de agora, e não consigo dar corda na noite. Sonhar é impossível. Cochilo e lá vem o “making of” do filme ruim, a lágrima desce espessa e o soluço acompanha o cortejo do sofrimento posterior. Vejo todos os rostos envolvidos voltando para casa depois do dia difícil. As vozes se despedindo calmas, os abraços cercando os corpos e as carícias adornando os adeuses. O meu quarto vira ala de hospital; ouço o barulho das macas no corredor, as conversas das enfermeiras que cochicham sobre a medicação do paciente do quarto x…. tudo se agiganta dentro da minha mente insone.

Ouço todos os sons com uma nitidez absurda. A dor do paciente que precisa de remédio para adormecer afugenta meu sonho. Consigo ouvir o soro pingando. Sofro por ele, aquele senhor que ficou sozinho. Penso naquela moça que ia fazer o exame decisivo. Será que alguém da família apareceu para acompanhá-la? E se ela não tiver ninguém? Recupero todas as fisionomias, os prontuários de todos os pacientes.

Fico impaciente por só poder rebobinar os eventos e não ter acesso à edição. Quero eliminar as dores, botar uma alegria bonita no rosto daquela gente que só conheci de passagem, mas que deixou em mim dores de uma vida inteira.

Sei que o sofrimento transitório me faz pensar nos que o tem diariamente, como um membro do qual não podem se livrar. O dia amanhece lento, manchado com a agonia da noite anterior. Aos poucos, os uniformes brancos vão se dispersando no clarão que invade a janela, as lágrimas secam no varal do meu rosto cansado. Os dias sacodem as memórias hospitalares. Começo a “Campanha de Prevenção contra novos Sustos”, e tento, na medida do possível, aguardar com serenidade que nada mais aconteça.

Texto Original: Contioutra

Seja gentil com as chances que a vida oferece


Por

E são milhares, todos os dias, o tempo todo. A cada instante que decidimos por isto ou por aquilo, estamos usando uma chance. E tudo pode dar certo, mas também pode não dar. Assim é, as chances são nossas, desenrolar e resultado do uso de cada uma, já depende de um monte de circunstâncias.

Não vale mais culpar as chances que a vida oferece só porque não funcionaram como foram arquitetadas. Pegar uma chance é pegar as rédeas de um cavalo que só terá direção, velocidade e destino, conforme o comportamento de quem o guia.

Algumas chances são traiçoeiras, brincalhonas, inconsequentes. É preciso ter atenção. Outras chances são brilhantes, únicas, justas na intensidade e tamanho. Essas, podem ser agarradas com paixão.
Outras ainda, são mensageiras de outras que ainda virão, se o caminho estiver livre, se forem bem-vindas, se forem desejadas. É necessário delicadeza e respeito.

As chances estão por aí, para o lado que virarmos haverá sempre uma, mas nenhuma responsabilidade por ser atribuída a uma chance. Elas simplesmente estão. Tocá-las, se apoderar delas, rejeitá-las ou ignorá-las, é escolha assumida e individual.

As que nos levam a caminhos perigosos, a terras e atos que deveriam ser evitados, essas são as que merecem mais gentileza e consideração, já que são as que acendem as luzes do bom senso e discernimento em nós.

Não há chance boa ou ruim, assim que não há acordo bom ou ruim. Tratado é tratado, não é caro nem barato. Quem não gosta de pimenta, que jamais peça um acarajé quente!

Assim são as chances, disponíveis e apetitosas, mas cada qual que pegue a que mais lhe convém, use-a gentilmente, trate-a amigavelmente e retribua honestamente.

Texto Original: Contioutra

sexta-feira, 29 de abril de 2016

O poder de um sorriso


Uma criança ri até 400 vezes por dia, no entanto, o adulto mais alegre não excede 100 vezes e a média fica entre 20 e 30 vezes. Conforme envelhecemos o riso e o sorriso desaparecem das nossas vidas, apesar dos benefícios que trazem, e aprendemos a fingir em vez de mostrar a nossa tristeza.
Muitas vezes escondemos nossos sentimentos sob um sorriso dizendo que nada aconteceu, quando na verdade estamos tristes. Não nos atrevemos a explicar porque e acreditamos que é mais fácil sorrir do que explicar nossa tristeza para as outras pessoas.
“Eu acredito que o que chamamos de beleza reside unicamente no sorriso”.
-León Tolstoi-
Mesmo antes do nascimento os bebês sorriem. De acordo com uma equipe de cientistas japoneses que, em 2012, gravou durante 62 minutos 31 fetos através de uma técnica de ultrassom, eles sorriram 51 vezes, com uma duração média de 3,21 segundos. Dessa forma, foi demonstrado que sorrimos mesmo antes de nascer.

Como identificar um sorriso falso que esconde tristezas

Ao longo do tempo foram realizados vários estudos sobre este assunto. Em 1862 o neurologista francês Duchenne de Boulogne realizou um estudo que concluiu que um sorriso falso movimenta apenas os músculos da boca e dos lábios, enquanto um sorriso sincero ativa também os músculos ao redor dos olhos.
Em 1973 o psicólogo Paul Ekman realizou uma experiência que mostrou 30 fotografias dos rostos de 14 pessoas de diferentes culturas expressando seis emoções primárias (alegria, medo, surpresa, tristeza, raiva e desgosto) e concluiu que as emoções, especialmente a alegria, foram associados da mesma forma pela maioria dos participantes.
Em 2012 os cientistas do Instituto de tecnologia de Massachusetts (MIT) desenvolveram um sistema para distinguir um sorriso falso de um verdadeiro. Para fazer isso, pediram que um grupo de voluntários fingisse frustração e depois preenchesse um formulário online, feito especialmente para causar frustração (depois de preencher os campos necessários e clicar em “Ok”, toda informação era apagada). No final, era exibido um vídeo de um lindo bebê.
No primeiro caso, quando fingiram frustração, 90% dos participantes não sorriram. No segundo caso, apesar de estarem decepcionados, muitos sorriram e, finalmente, com o vídeo do bebê, a maioria sorriu. A diferença é que o sorriso de frustração é mais instantâneo que o da alegria.
Além disso, os músculos envolvidos são diferentes. De fato, nos sorrisos verdadeiros os músculos que levantam as bochechas e enrugam ao redor dos olhos se movimentam.
“O riso é extremamente relaxante, é uma grande meditação. Se você pode rir de tudo, entra em um espaço de não-mente, de não-tempo. A mente vive das expectativas, o riso não é deste mundo, ele é divino”.
-Osho-

O que escondemos por trás de um sorriso

Por trás de um sorriso falso escondemos motivações diferentes. Uma das mais comuns é o medo de mostrar nossos sentimentos quando estamos tristes ou nos sentimos mal. Nessas situações nos sentimos vulneráveis e o fato de mostrarmos nossos sentimentos é mais complicado do que apenas sorrir.
Às vezes o nosso sorriso oculta a nossa tristeza para não machucar a outra pessoa. Nós não percebemos que esse sorriso falso nos trai e pode prejudicar a nós mesmos e a outra pessoa.

O poder de um sorriso sincero

Desde muito pequenos aprendemos que o sorriso tem poder e causa um efeito positivo sobre as pessoas. Um bebê interpreta o sorriso do seu pai ou da sua mãe como um sinal de confiança, de que fez tudo certo ou de que não há nenhum perigo. Neste sentido, em 1957 foi realizada nos Estados Unidos uma experiência onde foram colocados vários bebês na borda de uma superfície transparente, elevada até determinada altura, chamado de “Rochedo Visual”.
“A vida é cheia de solidão, miséria, sofrimento, tristeza e, no entanto, acaba muito rápido”. 
-Woody Allen-
As crianças tinham a sensação de que se andassem sobre a superfície transparente cairiam no vazio. No outro extremo estavam suas mães; algumas sorriam e outras não. Aquelas que sorriram conseguiram que seus filhos vencessem o medo e atravessassem a superfície transparente. As crianças cujas mães não sorriram optaram por não cruzar essa área.
Além disso, entre homens e mulheres adultos, o sorriso tem um grande poder. Em 2001 foi realizado um estudo que comprovou que as pessoas são 10% mais propensas a confiar em quem sorri. Finalmente, em 1985, foi demonstrado que as mulheres sorridentes aumentam a seu poder atração sobre os homens em 40%.

Texto Original: Amenteemaravilhosa

As 22 coisas que você descobre quando chega aos 30


Por Mateusz Grzesiak

Você ouve palavras estranhas de seu médico dizendo que você deve cuidar melhor de si mesmo. No primeiro momento você acha que ele está brincando. E você, ainda orgulhosamente, o ouve dizer que uma vez que as pessoas começam a tratá-lo seriamente, significa que você está se tornando um adulto. Entretanto, algumas palavras saem furtivamente da boca do médico: "Na sua idade, você não pode...". Você pensou que isso nunca iria acontecer? Cabelo grisalho já não é algo raro hoje em dia. Você precisa de uma boa noite de sono para ser capaz de lidar com o dia seguinte, e você sabe que as rugas não são suscetíveis de desaparecer também. Sim, você está certo, você não será jovem para sempre!

1. Você já não sente vontade de festejar

Ir a festas em finais de semana costumava ser seu dever social. Bem, a menos que você fosse o tipo de pessoa que está sempre de boca fechada, um verdadeiro chato ou um anti-social. E mesmo que você não gostasse de sair, era muito impróprio admitir isso. Sua estória favorita de muito tempo atrás, que contava orgulhosamente, era sobre ficar completamente bêbado. Hoje, uma ressaca pode estragar o seu dia inteiro, e você já não quer perder qualquer parte do seu dia.
Beber já não é algo que você faz para impressionar os seus amigos. Em vez disso, agora é uma experiência de saborear e degustar, como um bom ritual de fim de tarde. As vodkas baratas foram substituídas por bebidas de melhor qualidade, à espera de uma oportunidade ou uma boa ocasião. Você sabe quando parar e agora se lamenta por todos aqueles adolescentes que estão construindo seu senso de identidade pessoal com base na quantidade de álcool que podem beber. Quando você vê bêbados na rua gritando, você julga que eles são imaturos e se sente envergonhado ao recordar o momento em que você fazia isso também, tão orgulhoso como um pavão, sabendo que os outros estavam olhando para você. Hoje, você fica com sono durante a noite, porque você tem que se levantar de manhã para ir trabalhar. Nos fins de semana, você gosta de ficar na cama até tarde para compensar o sono perdido. Você sente pena das jovens garotas que retornam pra casa de manhã quase mortas, enquanto você está em sua corrida matinal. Mesmo se, de vez em quando, você sai à noite e assiste alguns jovens focados em saber se os outros estão olhando para eles e o que os outros pensam deles,envolvidos em uma experiência de auto-abuso narcisista, se expondo e socializando, você se pergunta como é possível que você se comportasse de uma maneira similar. Bem, a festa tornou-se chata.

2. Agora você sabe o que quer

Você está sempre ocupado fazendo algo. As palavras "estou entediado" não fazem mais parte do seu vocabulário, porque você não tem mais tempo para ficar entediado. Você trabalha e trabalha, e em seu tempo livre, você trabalha. Você está sempre ocupado onde quer que esteja, porque cada minuto é um bom momento para fazer algo. E se você tem seu próprio negócio, seus dias de semana e fins de semana, certamente, não são muito diferentes. Você também pode ter um segundo emprego como pai ou mãe. Ao final das contas, trabalho tornou-se sinônimo de vida. Isso é porque se você chegou aos trinta, você sabe o que quer e você sabe que é preciso agir para obter isto. Então você age.

3. Você agora é responsável por alguém

A diversão e os jogos se foram. Há alguém em casa esperando por você e ele ou ela pode se sentir magoado se você está chegando a casa tarde. Alguém vai sofrer se você não ganhar algum dinheiro. A maneira como você age afeta seus colegas, e as pessoas que escutam você levam suas palavras a sério. Se você é um pai ou mãe, você faz um esforço ainda maior, e você pensa duas vezes antes de gastar um único tostão. Você, sua empresa e seus deveres estão transformando sua vida em um lugar onde você vive a sua vida com os outros em mente mais e mais. A qualidade de sua vida afeta diretamente a qualidade de vida dos outros.

4. Você respeita o valor do dinheiro

Você se pergunta como é que você costumava pensar que dinheiro não importa, ou que os ricos eram apenas esnobes egoístas. E, embora o dinheiro não compre felicidade, você pode usá-lo como meio para adquirir certa abundância de coisas que irá fazê-lo feliz. Você vai comprar uma casa para sua família, pagar seus empréstimos, comprar o carro que você precisa e poupar um pouco para tempos difíceis. Hoje você gasta o seu dinheiro prudentemente, planejando seu orçamento doméstico e suas despesas. Você tem mais despesas, então você quer ganhar mais.

5. Amigos de verdade são mais do que conhecidos casuais

Eles têm te acompanhado por muitos anos, não julgando enquanto você muda. Eles não dizem que você está fazendo loucura novamente. Tão pouco querem mudar você. Você não quer desperdiçar seu tempo com conhecidos casuais e com todas as práticas relacionadas: fingir, atuar, fofocar ou fazer uma impressão particular sobre outros.Quando você está com seus amigos, você não precisa fingir ser alguém ou se preocupar se você causou uma boa impressão. Seus amigos são um oásis de verdade em um mundo das imagens e influencia intelectual. Você aprecia o fato de que há alguém em sua vida, que serve como um espelho real para você e que ele ou ela irá apoiá-lo independente em quem você se tornou.

6. Qualidade é importante

Você costumava comer qualquer coisa e as mais baratas. Você costumava usar roupas que provavelmente ficaria muito envergonhado de usar hoje. Você não estava disposto a gastar dinheiro, inclusive em sua saúde. Hoje você sabe que pode escolher entre ter qualquer coisa e alguma coisa. Você percebeu que há uma enorme diferença entre como você sente quando você veste uma roupa bem feita e a maneira como você se sente vestindo outra qualquer. Você veio a entender que é melhor pagar mais por qualidade e que é mais sensato comprar algo com menos freqüência, mas de melhor qualidade. Os ingredientes de sua alimentação são importantes hoje. Você já não ignora os rótulos dos produtos, porque você está mais consciente de suas necessidades e exigências.

7. Você não gostaria de ser jovem novamente

Vamos deixar claro: se você quer ser jovem novamente, talvez você nunca fora jovem antes. Uma vez que você se tornar mais maduro, você vem a entender como o mundo realmente funciona, você não precisa mais se preocupar com coisas desnecessárias, você começa viver a sua própria vida, não a vida de outras pessoas. A instabilidade emocional da década passada foi agora substituída por metas específicas para o futuro e por encontrar prazer em perseguir elas. Você quer voltar ao passado e, por exemplo, vestir suas roupas antigas? Não, obrigado!

8. Você pode ter relações sexuais normalmente, sem se sentir culpado

No passado, você tinha que se esforçar para causar uma boa impressão. Ele(a) vai gostar de mim? Fui bom(boa) o suficiente? Ela(e) chegou ao clímax ou fingiu? Todas as posições Kamasutra acabaram por serem boas em filmes para adultos, mas na vida real você pode ter uma boa experiência mesmo sem "efeitos especiais". E há mais uma coisa: você pode dizer claramente que você não quer fazer algo, sem de sentir culpado. Sexo normal é OK também.

9. Sua vida se torna mais significativa

Você está preocupado com outras coisas ao invés de o que você vai fazer no próximo fim de semana, onde vai passar as suas próximas férias ou o que seu chefe ou gerente irão dizer. Você começa a se perguntar o que você vai deixar para trás, que visão você pode alcançar, se você vai mudar o futuro do mundo, ou se você vai viver sua vida sem fazer um grande impacto. Você começa a valorizar-se com base na importância dos objetivos que você definiu para si mesmo e da complexidade dos problemas que você consegue resolver. Você conhece o seu melhor potencial e, portanto, desperdiçá-lo de qualquer forma dói mais do que no passado, quando você não acreditava em si mesmo. Você sabe que você pode ter um papel importante para os seus familiares, seu empregador ou seu país. Você tende a ver a sua vida a partir da perspectiva daquela visão, ao invés de viver por hoje. Você descobriu quem você realmente é. Você sabe o que quer na vida. Você tem planos de longo prazo e objetivos específicos, e sua mente está estabelecida para os resultados. Você está se tornando cada vez mais ativo, porque você não desperdiça sua energia em coisas pequenas. Você está alcançado o estágio de autorrealização, porque você sabe quem você é e por que você faz o que você faz. Você descobriu as razões para suas ações, que fazem você diferente das outras pessoas. Em algum nível, você não é o mesmo que os outros, e você está focado em deixar algumas caminhos para trás. Você está construindo uma personalidade única.

10. Sua vida se tornará mais difícil

Você não pensou nisso há 10 anos, olhando para pessoas de trinta anos com um bom trabalho e renda regular. Hoje, você sabe que a vida não é uma terra que mana leite e mel. Quando é hora de dizer adeus a alguém próximo a você, isso já não toma uma única mensagem ou uma conversa mais difícil. Dizer adeus às vezes significa um divórcio, com todas as conseqüências envolvidas. Além do mais, você pode perder seu emprego, alguém da sua família pode ficar doente, ou você pode perder todas as suas propriedades. Os problemas que você teve nos últimos dez anos não são nada em comparação com o que pode acontecer em sua vida agora.

11. Você não se desespera mais

Se o seu parceiro fica com raiva, você sorri para ele ou ela e espera até que ele ou ela pare com isso. Quando sua conexão à Internet cai, você telefona para a operadora e lida com a situação sem reclamações desnecessárias. Você exige mais, então você faz as coisas rapidamente. Quando alguém tem um monte de ressentimentos e queixas contra você, você não se envolve excessivamente. Você desiste da missão: Eu vou provar que estou certo; Eu sou um rolo compressor; você vai me escutar, queira você ou não! É porque você já não precisa provar que você está certo, porque isso é desperdício de energia. Você aceita objeções, porque elas não o ameaçam. Afinal, você sabe o seu valor.

12. Você entende que você nunca vai ser perfeito

Você nunca encontrará uma mulher que é uma princesa ou um homem que é um príncipe de um conto de fada. Você não compra histórias de imagens tão frequentemente quanto no passado, porque hoje você se preocupa mais com as almas das pessoas, mentalidade e atitudes para a vida. Você não ataca os outros pelos erros, tanto quanto no passado. Você olha para as falhas e vícios das pessoas com reserva. Você não culpa os outros tão frequentemente quanto no passado, porque você mesmo está menos disposto a mudar. Tentar ser perfeito é algo que você já não acredita mais. Você está aprendendo a ser feliz com o que você tem. Quando seu parceiro(a) está de mau humor, você sabe que ele(a) só teve um dia ruim e não que ele(a) não ama mais você. Seu chefe pode ter tempos difíceis às vezes, o que não significa que ele "não vê o seu potencial".

13. Às vezes você se afasta de sua família

No passado, ir embora significava sofrimento e separação. Isso poderia até causar medo de que seu relacionamento iria terminar. No passado, sentir saudade de alguém era doloroso. Hoje você gosta de estar consigo mesmo. Você pode ir a um café sem seus amigos, sentar em um banco de um parque com um jornal na mão, sumir por alguns dias por qualquer razão e gostar de estar sozinho. Isso é porque a sua personalidade tornou-se mais estável e porque você conhece a si mesmo muito melhor do que há 10 anos. Você sabe o que você espera de si mesmo e você realmente gosta de estar consigo mesmo sozinho. Você ficará feliz em estar de volta com o seu filho e seu parceiro, mas é muito bom passar algum tempo sem eles.

14. Seus pais são ótimos

Observar seus pais nos papéis de avós mostra que "as duas pessoas que você dizia serem seus torturadores" são realmente ótimas, pessoas adoráveis. Porque você não os viu como tal quando era adolescente? Por que eles vinham com alguma coisa que limitava a sua liberdade e fazia sua vida difícil? Agora você percebe que você está se tornando tal pessoa pra si mesmo, mas agora você também entende as boas intenções por trás de tais coisas. Você os perdoa por suas disputas do passado e agora estão construindo uma relação adulto-adulto baseado em parceria, amizade, compreensão profundas e apoio. Você está genuinamente feliz por ver a avó e avô fazendo um grande esforço para ajudá-lo a criar o seu filho, e que a única coisa que fazem é amá-lo incondicionalmente. Agora você está no papel de um pai!

15. Algumas pessoas são perda de tempo

No passado, você costumava se preocupar com o ódio de outras pessoas, fofocando e criticando. Hoje, essas coisas já não importam muito. Você sabe que às vezes é muito improvável para algumas pessoas mudar, e você sabe que às vezes simplesmente não importa, porque é você quem decide com quem você gasta tempo com e por que.Você opta por não passar tempo ou se preocupar com as pessoas que roubam sua energia e causam problemas. Você simplesmente não quer desperdiçar seu tempo em mudar os outros. Em vez disso, você escolhe as pessoas com mentes totalmente formadas e mais estáveis emocionalmente. Ser capaz de terminar um relacionamento está se tornando uma habilidade tão importante como ser capaz de conhecer alguém importante.

16. Amor é para ser promovido

A quantidade de tempo que você gasta com o seu parceiro (a), a qualidade de sua presença e sua comunicação com os outros estão se tornando as bases de seu relacionamento. Quando algo da errado, vocês conversam um com o outro. Quando você chega em casa, você dá ao seu parceiro(a) um beijo de benvindo. Antes de sair de casa, você diz até logo a ele ou ela. Você troca mensagens agradáveis e aprecia um telefonema de vez em quando, pois mostra que você realmente se importa um com o outro. Não há surtos selvagens de emoções ou medo esperando: "Será que ele vai me chamar ou não?". Em vez disso, você tem uma sensação de segurança e certeza de que vocês podem confiar um no outro. Você tem até agora enviado o Cupido, com seu arco e flecha, de volta ao mundo dos mitos e o substituiu com comunicação. Impaciência consciente! Que alívio que é ser capaz de controlá-la!

17. Você começa a ver o risco de que algo pode mudar

Seu senso de estabilidade e segurança no emprego, uma família para sustentar e da certeza das relações genuínas são desalinhados por acidentes e outros eventos que você não pode prever. Seja um acidente de carro no momento mais inesperado, ou a doença de um membro da família ou outro relativo. Também pode acontecer que duas pessoas que pareciam se amam tanto, de repente decidam se separar. Agora que você atingiu uma sensação de estabilidade em sua vida, há o risco de perder isto.Somente quem não tem nada não tem medo. Você atingiu um estágio em sua vida em que quer ter o que você está trabalhando para conseguir por muito mais tempo.

18. Seu filho faz você ser a melhor versão de si mesmo

Depois de se tornar pai, fumar torna-se um hábito egoísta, comer junk food dá um mau exemplo e seu comportamento estúpido não é exatamente o que você gostaria que seu filho aprendesse com você. Sua criança irá revelar tanto os seus piores traços quanto os seus melhores traços. Agora há alguém para você viver, e você sabe que ele ou ela precisa de você. Você faz seu melhor. Você aprende a ser paciente e tolerante, a perdoar e a amar. Este novo mundo dos deveres te faz ficar apto e saudável emocionalmente, mentalmente e fisicamente.

19. Você não tem que fazer tudo sozinho. Nem tem que ter tudo

Você não precisa mais se preocupar que alguém vai fazer alguma coisa pior do que você, e não é porque ele ou ela fará as coisas piores (porque eles certamente farão), mas porque o seu tempo se tornou mais valioso para você. Você sabe que há coisas que precisa fazer a si mesmo, porque você sabe o que pode fazer. Por causa disso, você não precisa nem tentar fazer algo que não é para você fazer. No passado, queria impressionar as pessoas, em busca de reconhecimento ou aprovação. Hoje, você acabou de fazer o que é suposto fazer. E você não faz coisas que outras pessoas deveriam fazer. Atingiu um período que é um bom momento para iniciar o seu próprio negócio, porque você ainda está motivado e você já está preparado para o trabalho em equipe.

20. Existem algumas fases universais na vida

Quando você vê os jovens e os problemas que eles estão passando, por um lado, você diz para si mesmo: "É tão trivial. Que desperdício de tempo!". Por outro lado, você entende as pessoas. É porque você passou por esses problemas também. Você sabe aonde alguns de seus erros vai levar e você entende que existem certas fases da vida. Você também irá passar por certo estágio por si mesmo, e você está curioso para saber o que vai acontecer no futuro.

21. Você nunca foi tão sexy

Embora agora seja um pouco mais difícil perder algum peso, você nunca se sentiu tão sexy como antes. O senso de autoconfiança é um afrodisíaco melhor do que um corpo bonito, e provocar o pensamento das pessoas é uma melhor forma de sedução do que a exibição de seus recursos. Você sabe o que quer na cama e você tem a coragem de pedir, enquanto a exploração é acompanhada pela alegria de conseguir prazer. Você pode se esquecer de si mesmo e você não tem que causar esta ou aquela impressão. As coisas são simplesmente perfeitas. Você não tem mais vergonha. E se você fizer um esforço, você pode ficar fabuloso e deslumbrar os outros com a sua aparência. Mas você não o faz para causar uma impressão em outras pessoas. Você faz isso por você mesmo. Você desfruta do poder que você tem em si mesmo e você o aceita.

22. Sua vida está apenas começando

Apesar de completar trinta anos, você diz para si mesmo: "Eu me pergunto que tipo de pessoa eu vou ser quando eu chegar aos 40. Além do mais, isto é só o começo!".

Texto Original: Administradores

A mentira na vida diária



Por

A psicóloga Bella DePaulo, em seus estudos, levantou uma série de questionamentos acerca da mentira.
Um dos seus artigos sobre o assunto intitula-se “The Many Faces of Lies” e busca levantar:
  • Quantas vezes as pessoas mentem?
  • Sobre o que as pessoas mentem?
  • Como os mentirosos justificam suas mentiras?
  • Que tipos de pessoas dizem mentiras mais facilmente?
Esses são os principais questionamentos, entre outros abordados no estudo, o que demonstra a complexidade de determinar o que seria mentira ou verdade.

Bella DePaulo
Comecei minha pesquisa sobre mentira na vida cotidiana com um viés de minha convicção de que contar toda a verdade não é nem possível e nem desejável, se fosse possível. Mesmo a mais simples das perguntas (por exemplo, o que você fez hoje?) pode ser respondida de várias maneiras, em qualquer nível de detalhe. Isso significa que todas as nossas apresentações na vida cotidiana são necessariamente editadas de alguma forma (Goffman, 1959; Schlenker, 2002). Quando estamos interagindo, escolhemos os aspectos de nós mesmos para apresentar que são mais relevantes para a conversa em curso e os nossos objetivos atuais, sem qualquer tentativa de induzir em erro. – DePaulo (2004, p.2)

Quando interagimos com sinceridade, nós escolhemos os aspectos mais relevantes – à nossa percepção – para a conversa em curso fluir melhor, e atingir os nossos objetivos (transmitir nossa experiência), sem qualquer tentativa de induzir ao erro.

DePaulo ainda reconhecia a necessidade de possuir um número bem maior de participantes em suas pesquisas, a fim de que a mesma fosse mais fiel possível nos resultados. “In our wildest dreams, we wanted to recruit a nationally representative random sample of Americans.”

Interessante como foi respondida a primeira questão do seu artigo: Quantas vezes as pessoas mentem? Até o final da semana, os 147 participantes tinham registrado um total de 1.535 em mentiras nos seus diários (ver Tabela 1 do artigo). Isso equivale a duas mentiras por dia para os estudantes universitários, ou uma mentira em cada três de suas interações sociais, e uma mentira um dia para as pessoas na comunidade, ou uma mentira em cada cinco de suas interações sociais. Divergindo brutalmente dos dados da pesquisa realizada por Robert Feldman.

E mais, os participantes mentiram mais sobre: (1) os seus sentimentos e opiniões; (2) suas ações, planos e paradeiro, (3) o seu conhecimento, realizações e fracassos; (4) explicações para a seus comportamentos e (5) fatos e pertences pessoais. Demonstrando que ainda mentimos muito por frustrações próprias, como citado no artigo “Mentiras sinceras nos interessam?

Além disso, é necessário tomar em conta o devido cuidado na quantificação da mentira. Muitas pesquisas utilizam médias aritméticas para isso, o que não faz muito sentido. Por exemplo: temos duas pessoas numa família – uma nunca mente, a outra conta 20 mentiras por dia. Se formos utilizar a média, transformaremos a pessoa que nunca mente em um “mentiroso médio” e ainda “quebramos o galho do mentiroso compulsivo! Não acho que isso seja muito justo…..

Texto Original: IBRALC

Carta aberta à procrastinação



por

Desde muito cedo eu te conheço, mas não por nome. Desde muito pequena, quando eu ficava olhando fixamente para uma parede branca perdida em meio a desenhos que minha mente projetava a partir de um buraquinho no concreto, com o intuito de adiar alguma tarefa solicitada pela minha mãe, ou quando insistia em jogar videogame quando deveria estar fazendo o dever de casa. Você está na minha vida há muito tempo e, aparentemente, não sairá dela tão fácil. Lembra de todas as vezes que a letargia tomou conta do meu corpo, se alastrou pela minha alma me dando a sensação de preguiça e inutilidade? Culpa sua, que tem o dom único de me fazer sentir bem por longos períodos mas cair abruptamente num poço de arrependimento e ressaca moral logo depois. Nossa relação é viciante, porém nada saudável.

Às vezes eu finjo ser uma adulta capaz de assumir o controle da própria vida, finjo anotar os compromissos na minha agenda mental, prometo que as tarefas da faculdade serão feitas logo no início do fim de semana. Às vezes acordo e penso: chega! Vou dar um fim nessa relação que tanto me consome. Mas logo sou surpreendida por você que me seduz com um fim de semana ensolarado, com um passeio inesperado, com um texto do Duvivier ou os primeiros episódios de F.R.I.E.N.D.S, de modo que, aquela mulher obstinada e responsável do início dá lugar a uma garota inútil e irresponsável, que adia o que deveria ser inadiável.

Você me tem nas mãos. Parece que fica arquitetando formas de me dispersar, me tirar de órbita e me jogar na mais profunda inércia – e o faz, sem prévio aviso. Como consequência, muitas vezes arrisco-me a dormir tarde fazendo absolutamente nada, acordo morta no outro dia e sou surpreendida pela retomada das atividades normais do meu cérebro, que subitamente sai do estado de submissão e me lembra de todas as tarefas atrasadas ou em cima da hora que terei que encarar, sem fazer cara feia. Você sempre consegue o que quer, e eu sempre me rendo aos seus galanteios.

Percebi que não sou a única na sua vida. Notei que você flerta com muitos dos meus amigos. Uns conseguem ser mais fortes do que eu e às vezes te mandam embora, mesmo que temporariamente; outros te amam incondicionalmente e já estão conformados com essa relação confortável. Porém, a grande maioria concorda que a longo prazo você acabará se tornando um atraso de vida. E é exatamente isso o que você quer: atrasar a vida alheia e reafirmar o seu poder sobre esse bicho ininteligível e facilmente manipulável que é o ser humano.

Tenho plena consciência que o nosso relacionamento precisa acabar o quanto antes, a fim de que eu possa regularizar a minha vida, tomar as rédeas da situação, respirar aliviada. Mas enquanto escrevo este texto eu checo o Whatsapp, vou ao banheiro, arrumo o cabelo, sirvo mais um chimarrão e me distraio com os pôsteres na parede. De repente, me pego num abismo chamado Wikipédia e vou de Hitchcock a Beach boys em menos de dez minutos. Sinto a sua presença em cada passo que dou, em cada ação que eu executo, por mais simples que seja. Mas acabou - pelo menos até sair outro texto do Duvivier na Folha ou eu for contemplada com um fim de semana ensolarado e convidativo. Céu limpo e sol para sábado, segundo a previsão que acabei de ler.

Texto Original: Obvious

10 fatos sobre como os introvertidos interagem de forma diferente com o mundo



Superficialmente  pessoas introvertidas e extrovertidas podem não aparentar tantas diferenças, mas se você olhar para a forma como elas respondem as ocorrências diárias da vida, as diferenças começam a surgir.

No mês passado, por exemplo, a escritora Melissa Dahl da revista Science of Us, escreveu sobre as conclusões do último livro de Brian Little, psicólogo que fala sobre a ciência da personalidade, Me, Myself, and Us: The Science of Personality and the Art of Well-Being– livro ainda não publicado em português. Nesse livro, Brian mostra, por exemplo, que os introvertidos devem evitar cafeína antes de uma grande reunião ou evento importante.

Little cita a teoria de extroversão de Hans Eysenck e a pesquisa de William Revelle, da Universidade Northwestern, para explicar que os introvertidos e extrovertidos são naturalmente diferentes quando se trata de sua agilidade e capacidade de resposta a um determinado ambiente. Uma substância ou cena que sejam super estimulantes ao sistema nervoso central de um introvertido (não é preciso muito) podem fazer com que ele ou ela se sinta  oprimido e exausto, em vez de animado e empenhado.

Em 2012, uma discussão do TED intitulada “O Poder da introvertidos”, a autora Susan Cain reiterou este ponto em sua definição de introversão, explicando que ser introvertido é “diferente de ser tímido.”

“A timidez é mais relacionada ao medo de julgamento social”, disse Cain. “Já a introversão é mais sobre como você responde a estímulos, incluindo a estimulação social. Então, extrovertidos realmente anseiam grandes quantidades de estimulação, enquanto os introvertidos sentem-se mais vivos e capazes quando estão mais silenciosos e em ambientes mais calmos “.

Entretanto, é evidente que a maioria de nossas construções sociais são destinadas à extrovertidos: escritórios abertos, bares barulhentos e a própria estrutura de nosso sistema educacional – apesar do fato de que de um terço a metade da população mundial tenham um comportamento mais introvertido.

De acordo com o famoso psiquiatra suíço Carl Jung ninguém apresenta características só de introversão ou extroversão, não existe um introvertido ou um extrovertido puro, mas fica mais fácil de identificar um introvertido quando ele está em um ambiente de super estimulação e apresenta algumas das características abaixo:

Eles evitam multidões.

“Nós deixamos o século 20 e entramos em uma nova cultura que os historiadores chamam de cultura da personalidade “, disse Cain em sua TED Talk. “Nós evoluímos a partir de uma economia agrícola para um mundo de grandes negócios, e assim, de repente, as pessoas se mudaram das pequenas cidades para cidades maiores e, em vez de trabalhar ao lado de pessoas que conheceram por toda a sua vida, agora elas têm que provar sua competência frente a uma multidão de estranhos. “
Toda essa gente resultou em uma multidão barulhenta e em ambientes congestionados. Os introvertidos, nesse ambiente, têm sua energia física rapidamente drenada pelo excesso de estímulos.  Eles terminam por se sentir fisicamente mais isolados do que acolhidos por tudo o que acontece nos arredores e certamente prefeririam estar em qualquer outro lugar onde não tivesse tanta gente.

Conversas superficiais os afugentam  enquanto conversas mais profundas os fazem se sentirem mais vivos.

Enquanto a maioria dos extrovertidos são energizados por tais interações, os introvertidos muitas vezes se sentem intimidados, entediados ou mesmo esgotados por conversas mais superficiais. Não é incomum que em grandes rodas de conversas os  introvertidos assumam o papel de ouvintes silenciosos e, em seguida, tirem um tempo sozinhos. Sophia Dembling , autora de The Introvert’s Way: Living A Quiet Life In A Noisy World (“O Caminho do introvertido: viver uma vida tranquila em um mundo cheio de ruídos”, em tradução livre) , explica que, em última análise, tudo se resume a como uma pessoa recebe (ou não recebe) energia de seus arredores. No caso dos introvertidos, eles preferem conversas mais profundas e, muitas vezes,  que tratem de ideias filosóficas.

Eles podem ser muito bem sucedidos  no palco 

“Pelo menos metade das pessoas que falam com multidões são naturalmente introvertidos “, de acordo com o Ph.D Jennifer B. Kahnweiler-  Coach executivo, profissional certificado e autor de Influência Silêncio: O Guia do introvertido em fazer a diferença (livre tradução). Os introvertidos simplesmente direcionam as suas forças e se preparam extensivamente. De fato, alguns dos artistas mais bem sucedidos são introvertidos. Falando no palco e separados de sua enorme audiência, eles se mostram muito mais facilmente  do que nas pequenas conversas que seguem após as palestras.

Eles se distraem facilmente, mas raramente se sentem entediados.

Se você está procurando uma maneira de destruir toda a atenção de uma pessoa introvertida basta apenas colocá-la em uma situação onde ela se sinta super estimulada. Devido ao aumento da sensibilidade ao seu entorno, os  introvertidos lutam com as distrações e, às vezes, são sobrecarregados pelo excesso de pessoas e pelos e espaços abertos de seus escritórios.
No entanto, quando eles estão em paz e sossego, eles não têm nenhum problema em gastar horas em seu passatempo favorito ou em se aprofundar em um novo livro. Ter esse tempo para cuidar de seu próprio interior ajuda a recarregar, enquanto desfruta de uma atividade que gostam.

Eles são naturalmente atraídos para carreiras mais criativas,  detalhistas e solitárias.

Os introvertidos preferem passar mais tempo sozinhos ou em um grupo pequeno. Mergulham profundamente em uma tarefa ao mesmo tempo e direcionam seu tempo quando se trata de tomar decisões ou resolver problemas. Por isso, eles se saem naturalmente melhor em ambientes de trabalho que lhes permitam fazer todas essas coisas. Certas profissões – incluindo escritores, cientistas e os trabalhadores por trás das cenas de tecnologia – podem dar aos introvertidos o estímulo intelectual que eles desejam, sem o ambiente perturbador que não gostam.

Quando cercados por pessoas, eles se localizam perto de uma saída.

Os introvertidos não só se sentem fisicamente desconfortáveis em lugares lotados, mas também fazem o seu melhor para diminuir esse desconforto localizando-se próximos a áreas de saída de lugares muito cheios. Quer seja por uma saída, na parte de trás de uma sala de concertos, ou sentando-se na poltrona do corredor de um avião, eles evitam ser cercados por pessoas de todos os lados.
“Estamos propensos a nos sentarmos em lugares onde podemos mais facilmente sair e nos afastar se precisarmos.”, disse Dembling ao HuffPost

Eles pensam antes de falar.

Este hábito dos introvertidos é frequente e lhes dá sua reputação de ouvintes. Os introvertidos esperam um tempo antes de abrir suas bocas, refletem internamente , em vez de pensar em voz alta (o que é mais comum entre os extrovertidos). Eles podem parecer mais quietos e tímidos por causa deste comportamento, mas isso apenas significa que, quando eles falam, as palavras que eles têm foram mais refletidas – e, por vezes, trazem mais poder e sabedoria.

Eles não assumem o estado de espírito de seu ambiente como os extrovertidos fazem.

Um estudo 2013 publicado na revista Frontiers in Human Neuroscience descobriu que os extrovertidos e introvertidos processam suas experiências através de centros de “recompensa” do cérebro de forma bastante diferente. Enquanto os extrovertidos muitas vezes sentem uma onda de bem-estar proveniente de neurotransmissores de dopamina, os introvertidos tendem a não experimentar essa mudança. Na verdade, as pessoas que são naturalmente introvertidas não são tão positivamente  influenciados quanto os extrovertidos por estímulos externos (uma festa, por exemplo).

Eles não gostam de ficar muito tempo no telefone

A maioria dos introvertidos evita telefonemas – até mesmo de seus amigos – por várias razões. Os toques intrusivos os forçam a abandonar o foco do projeto atual ou pensamento e  os faz reajustá-lo em algo inesperado. Além disso, a maioria das conversas telefônicas exigem um certo nível de conversa fiada que os introvertidos evitam. Em vez disso, os introvertidos podem deixar as chamadas caírem na caixa postal, para que possam retornar quando tiverem a energia e a atenção necessárias para dedicar a essa conversa.

Eles literalmente se desligam quando é hora de ficar sozinho.

“Enquanto para alguns a solidão é um problema, para outras pessoas, a solidão é o ar que elas respiram.” – Susan Cain
Cada introvertido tem um limite quando se trata de estimulação. A blogueira do HuffPost , Kate Bartolotta, explica muito bem como é isso quando ela escreve: “Pense em cada um de nós como tendo uma xícara de energia disponível. Para os introvertidos, a maioria das interações sociais esvazia um pouco da xícara ao invés de enchê-la da maneira como acontece com os extrovertidos.Os introvertidos gostam de ver e conversar com os amigos, mas quando a xícara esvazia, é necessário um tempo para se reabastecer “.

Texto Original: Contioutra

9 coisas que você deve fazer independentemente da opinião dos outros



Tenho certeza que pelo menos uma vez na vida você já ouviu alguma das frases acima. Estava extremamente empolgado com algo e no segundo seguinte sentiu como se um balde de água fria tivesse caído na sua cabeça. Foi tão desencorajador que você desanimou na hora e nunca mais cogitou colocar em prática o que quer que tenha dito para a outra pessoa.

Você entregaria nas mãos de alguém o poder de escolher tudo (TUDO!) o que você faria dali para frente e de tomar todas as suas decisões por você? É claro que não, porque você sabe que, por mais que haja alguém em quem confie de olhos fechados e tenha certeza do quanto tal pessoa te quer bem, ninguém pode ter ideia de nem metade do que se passa dentro de você.

Por trás de tudo o que você deseja fazer e de todas as decisões que quer tomar, existem coisas que os olhos alheios não vêem: como você se sente, as transformações que acontecem dentro de você, a sua angústia, a percepção de que a sua situação atual não te faz feliz… As outras pessoas só conseguem ver e entender qual é o seu desejo, mas não enxergam o que há por trás dele. Então tentam te levar para o caminho mais fácil e óbvio dando conselhos padrão, como se a sua vontade fosse apenas mais uma igual a tantas outras.

Por melhor que seja a intenção das pessoas, por mais que quem te aconselhe sejam seus pais, avós ou alguém que você tem certeza que te ama muito e quer te ver feliz, é você quem deve escrever a sua história. Suas escolhas, seus erros e acertos, suas lutas e seus arrependimentos são seus, é você quem irá sentir e lidar com eles. Na maioria das vezes, os conselhos de quem quer o seu bem têm a mesma intenção: não permitir que você sofra. Só que as pessoas não levam em consideração que você está tomando determinada decisão justamente porque já está sofrendo. Por isso, é muito importante que você saiba que, se seu coração pedir por algum dos itens a seguir, a opinião dos outros não deve soar mais alto do que o apelo que vem do seu interior. Algumas das coisas que você deve fazer independentemente da opinião dos outros são:

1) Abandonar o que não é mais importante para você
Boa parte das pessoas acha que desistir é sempre algo ruim. Não é. Não sempre, pelo menos. É ruim quando você desiste de algo que ainda deseja, que ainda ama, que ainda sonha. Mas há momentos em que é preciso abandonar coisas que foram importantes para você um dia, mas não são mais. Ainda que você explique isso aos outros, eles podem dizer “mas você sempre gostou tanto disso” ou “você era tão feliz assim, qual o problema agora?”. Problema nenhum, apenas um necessidade interna de mudança. Mas só você é capaz de entender.

2) Definir o seu conceito de sucesso
Quando se fala em sucesso, o que vem à mente da maioria das pessoas é a ideia de ter dinheiro, um cargo importante no trabalho e muitos bens materiais. Se você não tem nenhum destes itens, não é bem-sucedido, segundo o senso comum. Talvez você mesmo já tenha absorvido essa ideia sem refletir se isso condiz com o que você pensa, com as suas vontades e com o que te faz feliz. Sucesso é amar viver a própria vida. Se, para você, o que te faz amar viver é poder ajudar os outros, se expressar através da arte, ter tempo para estar com a família ou liberdade para conhecer o mundo, então este é o seu conceito de sucesso e ninguém pode te dizer o contrário.

3) Tentar quantas vezes for preciso
Não importa se as pessoas acham que existe um número limite aceitável de vezes para você trocar de curso, de emprego, de namorado, de cidade, de estilo, de filosofia de vida, o que for. O que elas sabem mais do que você para te dizer quando é hora de parar de tentar? Ninguém pode ter certeza de que as escolhas que faz agora durarão para sempre. Pior do que não tentar de novo é ficar infeliz onde está por achar que já tentou demais. A vida tem muitas possibilidades e não há nada de errado em explorar muitas delas para encontrar a certa para você. Não permaneça em algo que não te faz feliz apenas porque os outros acham que devem te dizer quando é a sua hora de parar.

4) Esperar
Talvez esteja nos seus planos, mas você ainda não se sinta pronto para entrar na faculdade, morar sozinho, casar ou ter um filho, por exemplo. Mas os outros dizem que já é hora, que você já está na idade. Contra a sua vontade, você faz o que eles dizem que é certo, mesmo sem se sentir preparado. Por que não poderia esperar mais um pouco? O tempo que cada um leva para se conhecer, para crescer e para se preparar para certas mudanças é único, não é igual para todos. Não há motivo para acelerar o processo. Suas decisões têm muito mais chances de dar certo se você tomá-las quando sentir que é a hora certa, sem pressão e sem pressa.

5) Usar e fazer o que te faz feliz
Sempre (repito: S-E-M-P-R-E) vai haver alguém para te criticar. A menos que você se tranque em um quarto escuro para o resto da vida e nunca ninguém saiba disso, muitas vezes você vai ser alvo de críticas, reprovações, fofocas e comentários. A boa notícia é que, na maioria das vezes, as palavras são inofensivas se você não der importância a elas. Se isso vai acontecer de qualquer jeito, então não se prive de vestir-se como quer, de usar maquiagem e acessórios “fora de moda”, de ler os livros que gosta, de dançar do seu jeito, de fazer o que “não condiz” com a sua idade. Não esconda quem você é e não pare de fazer o que te deixa feliz para evitar os comentários maldosos. Eles vão continuar existindo, não importa o quanto você se esforce para contê-los. O preço disso? A sua felicidade. Não vale a pena.

6) Lançar-se no incerto
Por seus sonhos e objetivos ou por vontade de ir além, quase sempre é preciso, de alguma forma, enfrentar a incerteza. Dificilmente você vai encontrar quem apoie sua decisão de trocar o (teoricamente) certo pelo duvidoso, mas se você quer fazer algo grande e importante, vai precisar passar por esta etapa. É uma das decisões mais difíceis de enfrentar quando você se depara com uma ou mais pessoas que se opõem. Só há duas opções: tentar realizar seus sonhos ou permitir que as pessoas o impeçam. Lembre-se: se optar por desistir, os outros continuarão suas vidas e o fato de você não realizar seus sonhos não fará diferença nenhuma para eles. E para você, fará?

7) Ver o lado bom de tudo
Eles dirão: “A vida não é um conto de fadas!”, “Pare de se enganar!”. Ou a pior de todas: “Seja realista!”. “Realismo” é o nome que os pessimistas dão ao pessimismo. Pode mesmo não existir vida perfeita, e é impossível passar por ela intacto, sem sofrer com os altos e baixos. Mas é possível sim enxergar o lado bom de todas as situações, por piores que sejam. Nunca permita que ninguém te faça acreditar que você não pode enfrentar seus problemas de forma positiva ou que o otimismo é uma ilusão. Deixe que os pessimistas lidem com seu “realismo” e permita-se ver as coisas da maneira que faz você se sentir melhor.

8) Reinventar-se
Um belo dia você resolve mudar. Percebe que quer ser de outro jeito, fazer outras coisas e sentir-se diferente de como se sente agora. Então decide transformar algo em sua vida e as pessoas começam a dizer que você está louco, que isso “é fase”, que você não sabe o que quer e é infeliz ou infantil. Você sabe que é algo muito mais profundo e importante: a necessidade de se renovar, de sair do lugar, de ser mais, de dar significado e aproveitar melhor a vida. O que os outros vêem em relação a isso é muito pouco, eles não enxergam a necessidade, apenas a vontade. Não conseguem ver que você evoluiu, que aprendeu algo que mudou sua forma de pensar, que não está se sentindo à vontade e que se sente agoniado por perceber que mudou por dentro mas é obrigado a continuar fazendo as mesmas coisas.

9) Recomeçar
Nunca é tarde demais, nunca! Nunca, nunca, nunca, nunca. Entendeu? É importante que você saiba disso, porque os outros não vão te dizer. Com palavras delicadas ou expressões discretas, eles vão querer fazer você acreditar que está velho demais para começar algo do zero. Esqueça o tempo, o passado, a idade e a opinião dos outros. Para recomeçar, você só precisa de uma coisa: disposição. Não permita que pessoas conformadas e acomodadas tirem isso de você.
Conclusão: dê a si mesmo o direito de se arrepender sem precisar se culpar, seja diferente, arrisque, se jogue na incerteza de ir atrás daquilo que agita seu coração, faça o que tem vontade e seja ridículo, se é assim que as outras pessoas definem quem é feliz.

Texto Original: Desassossegada