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sexta-feira, 29 de abril de 2016

9 razões muito boas para não guardar rancor


De

O ser humano é uma espécie que se preserva muito. Quando somos injustiçados, queremos que o mundo tome conhecimento. Queremos que a parte responsável pague por seus erros. Queremos que outros humanos sejam responsabilizados por seus atos prejudiciais. Isso é tão ruim assim?

Para responder em termos simples: sim.

As razões para guardar aquele ressentimento no coração podem lhe parecer válidas: você se sentiu incrivelmente magoado, a pessoa que errou merece sentir sua raiva, você é de Leão, isso faz parte de sua natureza. Mas será que a outra pessoa ou as ações dela realmente justificam você prejudicar sua própria saúde?

Gandhi disse certa vez: “O perdão é atributo dos fortes”. É preciso muita coragem para deixar para trás uma experiência dolorosa que outra pessoa lhe impôs. Mas, se você deixar a raiva ir embora, estará fazendo bem a você mesmo de várias maneiras. Veja a seguir dez razões por que é melhor perdoar que guardar ressentimento. 

Guardar ressentimento pode fazer mal ao seu coração.
Apegar-se a emoções de ira pode cobrar um preço alto de sua saúde física. Um estudo publicado pela American Heart Association (Associação Americana de Cardiologia) sugere que altos níveis de ira podem elevar o risco de doença cardíaca coronária, especialmente em homens mais velhos. Reprimir esses sentimentos pode elevar sua pressão, informou a Men’s Health em 2013.

Manifestar raiva pode causar impressão forte sobre crianças.
As crianças pequenas moldam seu comportamento naquilo que as cerca, e especialmente quando se trata de hostilidade e raiva. Segundo um estudo publicado no periódico Cognitive Development, os bebês não apenas percebem a raiva no ar como adaptam seu comportamento a ela. E mais: mesmo as crianças muito pequenas têm memória longa – pesquisadores constataram que crianças de 2 ou 3 anos são capazes de identificar pessoas que tendem a ser raivosas, baseadas em explosões de raiva anteriores.

Mesmo um episódio curto de raiva pode ter implicações para a saúde.
Guardar raiva dentro de você pode ameaçar seu bem-estar, mas mesmo uma explosão breve de raiva pode ter o mesmo efeito. Um estudo da Escola Harvard de Saúde Pública constatou que os sujeitos têm risco cinco vezes maior de ataque cardíaco e três vezes maior de derrame cerebral nas duas horas seguintes a uma explosão de raiva.

A raiva prejudica sua saúde mental.
As situações incômodas tendem a ocupar muito espaço em nossa mente, levando-nos a uma espiral de pensamentos que pode afetar nossa saúde mental. A ira exacerba a ansiedade e o estresse, e, como explicou a psicóloga Laura L. Hayes, Ph.D., apegar-se a essa emoções hostis pode manifestar-se em algo mais perigoso.

“A ira nos prepara para lutar. Ela ajudou nossos ancestrais a sobreviver, mas, no mundo tecnológico complexo de hoje, muitas vezes atrapalha mais do que ajuda”, ela escreveu em um blog da Slate no ano passado. “Quando mais furioso você está, menos claramente consegue pensar; logo, menor será sua capacidade de negociar, de olhar as coisas sob nova ótica ou de lidar com uma provocação de maneira eficaz.”

A raiva pode estar associada ao surgimento da diabete do tipo dois.
De acordo com dados divulgados pelos Institutos Nacionais de Saúde, a ira tem o potencial de levar à diabetes, por fomentar comportamentos de risco à saúde.

Embora não exista vínculo direto entre temperamento e risco subsequente de diabetes, ainda houve algumas constatações interessantes. No estudo, as pessoas com os níveis mais altos de ira tiveram risco 34% mais alto de desenvolver a diabetes, comparada com as pessoas de temperamento mais calmo. Os pesquisadores descobriram que os raivosos crônicos têm tendência maior a fumar e a ter uma ingestão calórica alta, dois fatores que podem levar ao surgimento da diabetes do tipo dois.

Aferrar-se a sentimentos de rancor pode causar estresse.
Já é frustrante viver uma situação complicada. Não deixar a frustração evaporar mais tarde pode causar dano ainda maior. A amargura e a raiva podem provocar níveis mais altos de estresse e elevar o ritmo cardíaco. Qual é o antídoto? O perdão. Pesquisas sugerem que perdoar os outros (e a si mesmo) reduz as respostas de estresse fisiológico.

Libertar-se de um ressentimento o colocará para cima.
Apegar-se a um sentimento de rancor pode fisicamente colocar você para baixo. Em um experimento publicado no periódico Social Psychology and Personality Science, pesquisadores pediram a 160 universitários que recordassem um momento de conflito em que estiveram envolvidos e então participassem de um exercício de saltos físicos. Aqueles que pensaram em praticar o perdão saltaram mais alto. Isso sugere que o rancor pode pesar sobre você, e não apenas de modo mental.

Esquecer um ressentimento o ajudará a dormir melhor.
Quem é que não quer dormir melhor? Em vez de ficar se debatendo na cama, repassando na cabeça as coisas que o deixaram aflito e contando carneirinhos, procure praticar um pouco de perdão. Um estudo de 2005 descobriu que os sujeitos que esqueceram seus ressentimentos viram sua qualidade do sono melhorar, entre outros efeitos benéficos.

O perdão fortalece nossos vínculos sociais.
Mesmo seus relacionamentos são beneficiados se você deixa um ressentimento ir embora (e, como sabemos, nossos entes queridos são essenciais para vivermos bem). Parte do perdão consiste em pedir perdão, algo que requer um pouco de modéstia. E esse senso de humildade pode fortalecer seus relacionamentos. Pesquisas mostram que o perdão em um relacionamento pode levar as duas partes a rever suas metas e melhorar a qualidade da relação.

Para citar uma das canções mais populares do ano passado, o melhor é simplesmente “let it go” (deixar ir embora).

Texto Original: Brasilpost

As 12 vulnerabilidades humanas

 

Vulnerabilidades são as dificuldades internas, mentais, vivenciadas ao longo da vida. Algumas vulnerabilidades existem desde o nascimento, outras, a maioria, são dificuldades emocionais que aparecem durante a vida e se desenvolvem conforme você vai aprendendo crenças irracionais, ou vai tendo exemplos ruins e desilusões.

Independente de serem genéticas ou adquiridas, sempre é possível aliviar essas vulnerabilidades emocionais, diminuir as diferenças internas e criar uma boa resistência para esse stress emocional.

Nossas 12 vulnerabilidades

1ª Frustração – Frustração o que você sente quando diz: “Não suporto quando as coisas não saem do jeito certo, do jeito que eu quero”. A pessoa se frustra quando tem na cabeça tudo determinado. No budismo se diz que o caminho para a iluminação é eliminar o desejo. Eu não sou budista, mas creio que é isto a que se refere. Quanto mais desejos, mais inflexível você for mais você vai se frustrar. Quanto mais você dizer “Se não for desse jeito, eu não quero nada” mais vai desenvolver sofrimento emocional.

2ª Pressa – Você percebe que é um apressado quando vive dizendo “Não me faça perder tempo”. Sabe aquela pessoa que vive dando pulinho no lugar? Se não tiver nada para fazer ela não aproveita o tempo, não curte seu dia, o sol gostoso ou a lua bonita, ela inventa mais alguma coisa para fazer porque tem pressa e não pode “perder tempo”.

3ª Solidão – A solidão um sofrimento para muitas pessoas. Se você sente angustia em ficar sozinho, você sofre de solidão . Solidão não tem uma definição fechada, estar só é o que sua cabeça determina que seja, se você determinar que pode ser uma boa companhia para você mesmo, parabéns! Você superou a solidão. Mas, se você sofre por ficar sozinho então temos dois caminhos para você, ou treinamos habilidades sociais, e a psicologia comportamental faz isso muito bem, ou você aprende a não se avaliar tão negativamente assim por estar sozinho. Pergunte para você mesmo: “O que significa estar só?” Se você responder que significa ser rejeitado, temos que fazer um trabalho cognitivo, ou seja, mudar essa percepção. Aí a terapia cognitiva faz um trabalho muito legal.

4ª O tédio – “Coisas monótonas repetitivas me deixam chateado”, “Todo relacionamento fica chato depois de um tempo”. Se você é o dono dessas frases então você sofre com o tédio . E aí, o que a gente faz com pessoas assim? Manda ela se meter em esportes radicais, cada vez mais arriscados, cada vez mais caros? Ou vamos aprender que adrenalina também é vicio! Adrenalina é uma droga endógena, ou seja, seu próprio corpo produz, mas mesmo assim é uma droga que vicia. E como tudo o que é demais faz mal, temos é que pensar no equilíbrio da pessoa como um todo. É muito melhor viver sem ter que pular de uma ponte por dia para sentir alguma emoção, assim é a realidade nossa do dia a dia.

5ª Sobrecarga de Trabalho – Trabalhar demais, assumir mais tarefas do que seria possível, pode ter várias origens. Pode ser baixa assertividade , pode ser que você não consegue falar o famoso “não” na hora certa, pode ser expectativas irreais, você pode achar que a única forma de ser reconhecido é trabalhando feito uma “mula de carga”, isso até você ver outro se dar bem melhor que você e trabalhando só metade. Ou você confundiu as coisas e acha que qualidade de vida é conseguir comprar um monte de coisas que você não vai ter tempo para desfrutar.
Porque você está sobrecarregado de tanto trabalho? E não me venha dizer que é impossível mudar. Acredite em mim, sua vida é o que você faz dela, se a forma como sua vida está não está legal é porque você precisa perceber que depende de você, e só de você mudar isso. Se não conseguir sozinho.

6ª Ansiedade – Num primeiro momento parece que não é nada, mas só de transtornos de ansiedade o código internacional de doenças tem uma lista enorme. Desde o transtorno do stress pós traumático , ansiedade generalizad a, síndrome do pânico e lá vai lista. Em resumo, ansiedade é toda vez que você sente angustia quando antecipa que vai acontecer alguma coisa importante, mesmo que saiba o que fazer. Exemplo: Você sente angustia antes de fazer uma prova, mesmo tendo estudado? Você é ansioso . Sente angustia em receber pessoas na sua casa, mesmo tendo tudo preparado para isso, é ansiedade. Sente angustia quando vai falar com alguém que você considera importante, mesmo que você saiba como se comportar nesse tipo de situação, isso é ansiedade. Ansiedade não tratada faz com que sua vida renda menos. Você fica paralisado pela ansiedade.

7ª Depressão – Você pode desconfiar de depressão quando fica desanimado só de pensar em enfrentar certas coisas. Quando você sente que não tem energia. Você pode desconfiar que esteja deprimido quando acha que não vale a pena se esforçar pois nada tem graça. Depressão é um dos mais graves sintomas clínicos em psicologia. Depressão mata. Se não com suicídio, mas tirando da vida produtiva de muita gente que poderia estar desfrutando a vida. Mas este é quadro que menos aparece nas clínicas. Porque os depressivos não se tratam. Eles não têm esperança. Eles acham que não vale à pena.
O trabalho com o paciente depressivo deve incluir a família. Alguém em casa tem que ser o apoio. É difícil porque a família o vê como um “chato”. Infelizmente essa impressão faz com que a família vire as costas e diga “se vire”. Mas a gente sabe que ninguém “se vira” sozinho, sem tratamento.

8ª Raiva – Este é outro tema que merece um livro só para ele. Quem tem dificuldade em lidar com a raiva fica a mercê dos outros. Isso mesmo, você fica sob o controle dos outros, os outros te irritam e você perde o controle. Quando percebem que você é assim, parece que você deu um “controle remoto” da sua mente para o outro. O outro te controla, ele sabe te tirar do sério, lembra do que eu falei que faz parte do equilíbrio humano sentir que você tem o controle sobre você mesmo. Pois é, quem é vulnerável à raiva não tem esse controle, e além disso, é o tipo de pessoa que foge de gente, contato com pessoas irritam, a pessoa se isola, e ganha a depressão de brinde.
Não ter raiva nenhuma, por incrível que pareça, também é ruim. Você tem que ter reação quando te ofendem. Para ter auto defesa, até auto-estima, que é saudável, você tem que ter um limite mínimo de raiva, é ela que te faz reagir, mas você precisa da dose certa de raiva.

9ª Preconceitos – Qualquer conclusão que você tira em cima de um aspecto que não está claramente relacionado é preconceito . Ex: Tirar a conclusão de que quem nasceu neste ou naquele lugar é menos inteligente. Isso é preconceito. Porque não há relação lógica de inteligência com local do nascimento, ou chegar a conclusão que “todo mundo quer tirar vantagem de você” também é preconceito . Porque você não conhece todo mundo intimamente, e você conclui isso antes de saber como a pessoa é de verdade.
“Quem teve uma infância ruim nunca será feliz” – é preconceito porque sabemos da influência do ambiente, mas também sabemos que é possível fazer uma reestruturação cognitiva e ser feliz, mesmo tendo tido muitos problemas na infância. A psicoterapia te ensina a fazer essa reestruturação cognitiva. Preconceito está intimamente ligada às crenças irracionais que se coleciona ao longo da vida.

10ª Perfeccionismo – Muita gente sente orgulho em ser perfeccionista . Não sei por que, pois o perfeccionista sofre, e muito por ser assim. Revisa tudo o que faz, não se perdoa se sair um errinho. Nem viu o trabalho do outro, mas diz que não está bom. É aquele que acha que só ele sabe fazer as coisas direito. É aquele que não tira férias porque não confia em ninguém para deixar no trabalho. Você acha que isso é bom?

11ª Aprovação – Quanto sofrimento a gente não vê por ai por conta das pessoas que buscam aprovação : “Tenho que fazer tudo certinho, senão o que vão pensar de mim”. Quanto sapo engolido por medo de abrir a boca e falar coisas que os outros possam não gostar, quanto sofrimento você passou porque aprendeu que “menina bonita não faz assim” “menino bonito não reclama”.

12ª Negativismo – É o tal de: “não vai dar certo”. “Pra que sair para procurar emprego se não vou conseguir mesmo”. “Pra que ir para festa se não vou conversar com ninguém interessante mesmo”.
Essas são as vulnerabilidades que produzem stress emocional. Se permitir que alguma dessas vulnerabilidades invada sua vida estará abrindo as portas para o sofrimento psicológico.

Texto Original: Contioutra

Nunca tivemos uma geração tão triste


Por Liliane Prata

Augusto Cury, o famoso psiquiatra que tem livros publicados em mais de 70 países e dá palestras para multidões no Brasil e lá fora, lançou recentemente uma versão para crianças e adolescentes do seu best-seller Ansiedade – Como Enfrentar o Mal do Século. O autor conversou com a gente sobre os desafios de se criar os filhos hoje e não poupou críticas à maneira como a família e a escola têm educado os pequenos. Confira!

Excesso de estímulos

“Estamos assistindo ao assassinato coletivo da infância das crianças e da juventude dos adolescentes no mundo todo. Nós alteramos o ritmo de construção dos pensamentos por meio do excesso de estímulos, sejam presentes a todo momento, seja acesso ilimitado a smartphones, redes sociais, jogos de videogame ou excesso de TV. Eles estão perdendo as habilidades sócio-emocionais mais importantes: se colocar no lugar do outro, pensar antes de agir, expor e não impor as ideias, aprender a arte de agradecer. É preciso ensiná-los a proteger a emoção para que fiquem livres de transtornos psíquicos. Eles necessitam gerenciar os pensamentos para prevenir a ansiedade. Ter consciência crítica e desenvolver a concentração. Aprender a não agir pela reação, no esquema ‘bateu, levou’, e a desenvolver altruísmo e generosidade.”

Geração triste

“Nunca tivemos uma geração tão triste, tão depressiva. Precisamos ensinar nossas crianças a fazerem pausas e contemplar o belo. Essa geração precisa de muito para sentir prazer: viciamos nossos filhos e alunos a receber muitos estímulos para sentir migalhas de prazer. O resultado: são intolerantes e superficiais. O índice de suicídio tem aumentado. A família precisa se lembrar de que o consumo não faz ninguém feliz. Suplico aos pais: os adolescentes precisam ser estimulados a se aventurar, a ter contato com a natureza, se encantar com astronomia, com os estímulos lentos, estáveis e profundos da natureza que não são rápidos como as redes sociais.”

Dor compartilhada

“É fundamental que as crianças aprendam a elaborar as experiências. Por exemplo, diante de uma perda ou dificuldade, é necessário que tenham uma assimilação profunda do que houve e aprender com aquilo. Como ajudá-las nesse processo? Os pais precisam falar de suas lágrimas, suas dificuldades, seus fracassos. Em vez disso, pai e mãe deixam os filhos no tablet, no smartphone, e os colocam em escolas de tempo integral. Pais que só dão produtos para os seus filhos, mas são incapazes de transmitir sua história, transformam seres humanos em consumidores. É preciso sentar e conversar: ‘Filho, eu também fracassei, também passei por dores, também fui rejeitado. Houve momentos em que chorei’. Quando os pais cruzam seu mundo com os dos filhos, formam-se arquivos saudáveis poderosos em sua mente, que eu chamo de janelas light: memórias capazes de levar crianças e adolescentes a trabalhar dores perdas e frustrações.”

Intimidade

“Pais que não cruzam seu mundo com o dos filhos e só atuam como manuais de regras estão aptos a lidar com máquinas. É preciso criar uma intimidade real com os pequenos, uma empatia verdadeira. A família não pode só criticar comportamentos, apontar falhas. A emoção deve ser transmitida na relação. Os pais devem ser os melhores brinquedos dos seus filhos. A nutrição emocional é importante mesmo que não se tenha tempo, o tempo precisa ser qualitativo. Quinze minutos na semana podem valer por um ano. Pais têm que ser mestres da vida dos filhos. As escolas também precisam mudar. São muito cartesianas, ensinam raciocínio e pensamento lógico, mas se esquecem das habilidades sócio-emocionais.”Mais brincadeira, menos informação
“Criança tem que ter infância. Precisa brincar, e não ficar com uma agenda pré-estabelecida o tempo todo, com aulas variadas. É importante que criem brincadeiras, desenvolvendo a criatividade. Hoje, uma criança de sete anos tem mais informação do que um imperador romano. São informações desacompanhadas de conhecimento. Os pais podem e devem impor limites ao tempo que os filhos passam em frente às telas. Sugiro duas horas por dia. Se você não colocar limite, eles vão desenvolver uma emoção viciante, precisando de cada vez mais para sentir cada vez menos: vão deixar de refletir, se interiorizar, brincar e contemplar o belo.”

Parabéns!

“Em vez de apontar falhas, os pais devem promover os acertos. Todos os dias, filhos e alunos têm pequenos acertos e atitudes inteligentes. Pais que só criticam e educadores que só constrangem provocam timidez, insegurança, dificuldade em empreender. Os educadores precisam ser carismáticos, promover os seus educandos. Assim, o filho e o aluno vão ter o prazer de receber o elogio. Isso não tem ocorrido. O ser humano tem apontado comportamentos errados e não promovido características saudáveis.”

Conselho final para os pais

“Vejo pais que reclamam de tudo e de todos, não sabem ouvir não, não sabem trabalhar as perdas. São adultos, mas com idade emocional não desenvolvida. Para atuar como verdadeiros mestres, pai e mãe precisam estar equilibrados emocionalmente. Devem desligar o celular no fim de semana e ser pais. Muitos são viciados em smartphones, não conseguem se desconectar. Como vão ensinar os seus filhos e fazer pausas e contemplar a vida? Se os adultos têm o que eu chamo de síndrome do pensamento acelerado, que é viver sem conseguir aquietar e mente, como vão ajudar seus filhos a diminuírem a ansiedade?”

Texto Original: M.demulher

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Ficar mal às vezes faz bem


Por Gustl Rosenkranz

Um acidente, uma enfermidade, a morte de um ente querido, o fim de um relacionamento amoroso e muitas outras coisas inesperadas e duras podem nos obrigar a nos afastar dos prazeres cotidianos e a nos confrontar com o sofrimento e com a dor. 
 
Não gostaria de expor aqui meus problemas de saúde e por isso dispenso os detalhes. Só digo: andei mal, muito mal, com muitas dores. Agora estou melhor, olho para trás e constato: não foi ruim, pois me fez parar, me vez rever muitas coisas e me fez reencontrar a mim mesmo.

Entramos facilmente no que chamo de “parafuso da vida” e começamos a girar com ele, nos acostumando com a rotina, aceitando ser levado pelo cotidiano e correndo atrás de tantas coisas, já que temos tanto para fazer e resolver, e nunca paramos. Quando paramos um pouco, então para ir atrás de prazeres imediatos e coisas sem real importância. Por mais atentos e críticos que sejamos, terminamos achando de tudo nesta vida, mas nunca ou só raramente encontramos tempo para nós mesmos, perdendo sempre um pouco mais de nossa paz e nossa saúde interior.

Vi por aí um comentário hedonista que dizia que ninguém precisa sofrer para ser feliz. Não precisei refletir muito para perceber que a questão não é de precisar de sofrimento ou não. A questão é outra: o sofrimento é inevitável! Não tem jeito. Todos nós terminamos sofrendo um dia, mais cedo ou mais tarde, de uma forma ou de outra.

Então, os hedonistas deste mundo que me perdoem, mas buscar constantemente a satisfação imediata dos prazeres só funciona até o dia que em que a vida resolve dar uma freada na coisa. Um acidente, uma enfermidade, a morte de um ente querido, o fim de um relacionamento amoroso, um desemprego repentino e muitas outras coisas inesperadas e duras podem nos obrigar a nos afastar dos prazeres cotidianos e a nos confrontar com o sofrimento e com a dor.

O que fazer então? Relutar, desesperar-se, ignorar, fugir, entorpecer-se? Penso que não adiantaria. O melhor caminho que vejo é aceitar. Não digo aceitar passivamente e muito menos “se apaixonar” pela dor (isso seria masoquismo!). Digo aceitá-la como inevitável, mas também como quem tem algo a nos dizer, que quer talvez nos mostrar o quanto somos frágeis, que quer talvez nos pedir (ou mesmo nos obrigar) a parar para rever nossos conceitos, nosso modo de lidar com o corpo e a alma, para percebermos talvez que já giramos tanto com o “parafuso da vida” que nem percebemos mais que já estamos tontos, que já perdemos o norte, que possivelmente já nem mais sabemos direito quem somos e o que queremos.

Na verdade, a vida vive constantemente nos convidando a parar para refletir sobre o que nos faz bem ou não, mas ignoramos esses convites, até chegar o dia quando somos então obrigados a fazê-lo, querendo ou não. Talvez sofrêssemos menos neste mundo se parássemos mais vezes, entre uma coisa e outra, para refletir, se (re)orientar e se (re)encontrar, ao invés de esperar que a vida um dia nos obrigue a isso.

E então, o que acha? Não estaria na hora de você dar uma paradinha, fazer férias, descansar ou simplesmente ir à floresta e abraçar uma árvore? Pense nisso!

Texto Original: Caminhos

Homem se apaixona fácil, mas ama difícil


Por Fabricio Carpinejar

Homem se apaixona fácil, o que ele tem medo é de amar….

Mulher não se apaixona fácil, mas não tem medo de amar.

São dois fusos diferentes. São duas realidades em desacordo.

Homem logo se entrega para um relacionamento, não mede esforços para ficar com alguém, renuncia sua vida e seus prazeres mais essenciais, altera sua rotina. Na paixão, sua generosidade é corajosa. Facilita as saídas aos bares e restaurantes, facilita a intimidade na casa, facilita o arrebatamento. Nada incomoda, nada atrapalha, nenhum defeito é contabilizado.

Sua complicação é quando passa a amar, quando larga a fase da aventura e do desconhecimento dos meses iniciais para fazer plano junto. Daí ele estaciona, emperra. Tanto que sofre horrores para dizer o primeiro eu te amo. Tanto que sofre horrores para misturar as escovas de dente. Tanto que sofre horrores para dividir as prateleiras. É como se não pensasse até aquele momento.

Na paixão, ele não avalia as separações anteriores, suas falhas de sistema, suas fobias de convivência. Explode por intuição, desmemoriado. É vir o amor que ele recua, entra em julgamento, contrai o olhar e economiza as palavras. É consolidar os laços que se confunde, acumula receios e inventa desculpas.

A mulher é exatamente o contrário, e bem mais coerente. Leva tempo para se apegar, questiona de saída, é desconfiada na paixão, cética na paixão, contida na paixão. Sofre passo a passo. Empenha malha fina da personalidade na apresentação. Sua instabilidade é de imediato, sua crise de consciência é no começo. Quando descobre que gosta realmente, é que se liberta e derruba suas defesas. É realizar projetos e formular expectativas que se solta e se desinibe. Para ela, o amor acontece mais natural do que a paixão. Paixão é choque, dói; amor é costume, cicatriza.

Homem diz “Não quero me envolver”. A mulher diz “não quero me apaixonar”. As declarações são representativas. Ele recusa intimidade após o contato, ela pretende evitar qualquer contato, já que a intimidade não a assusta.

Homem mergulha para reclamar da água. A mulher experimenta a água antes de entrar.

Homem tem primeiro certeza para depois duvidar. A mulher duvida até cansar sua cautela.

Homem oferece tudo para retirar gradualmente. A mulher esconde tudo para oferecer aos poucos.

Homem se mostra desembaraçado e, em seguida temeroso. Mulher se apresenta temerosa e, em seguida, desembaraçada.

Homem decide rápido para desmanchar lentamente sua convicção. Mulher demora a se decidir, mas não volta atrás.

Homem é paixão. Mulher é amor.

Texto Original: Somadetodososafetos

A Raiva contida – Há algum problema em não expressar a raiva?


Por

“Devemos expressar a raiva? Ou devemos escondê-la? Reprimi-la? Haverá algum problema se escondermos no longo prazo?”

Sobre emoções e sensações

Para começarmos, é muito importante saber o que é a raiva. O que é a raiva para você? Ou melhor, como você sabe que está com raiva…quando está com raiva?

Para por alguns instantes e pense.

Quando pergunto como é a raiva para você, deixo implícito o pressuposto de que a raiva é diferente para cada pessoa. Para mim, sei que estou com raiva quando noto o franzir da minha sobrancelha, quando contrario vários músculos no rosto e na testa, fecho os punhos como quem fosse dar um murro, sinto meu coração bater mais rápido e a respiração fica mais rápida e superficial.
Provavelmente, para você é um pouco diferente. De toda forma, você e eu nomeamos isso tudo como raiva.

Agora, vamos imaginar como se fossemos um cientista que estivesse observando este conjunto de fenômenos: todas estas sensações separadas que, juntas, chamamos de raiva.

Separadamente, nenhuma destas sensações corporais indica necessariamente um estado de raiva. Posso contrair os músculos da testa porque estou com dúvida, posso fechar os punhos em um exercício ou como sinal de vitória, como quem comemora algo.

Ao observar cada sensação por si só, como em um microscópio, vemos que todas estas sensações são transitórias, temporárias, impermanentes. Mas, se quisermos, podemos manter por mais tempo estas sensações. E aí é que surge a questão da causa da raiva.

As causas da raiva

Desde o começo da psicologia, que todas as abordagens, sem exceção, possuem um axioma: todos os fenômenos psicológicos tem uma causa, ou seja, podem ser explicados.
A raiva possui uma causa. A raiva não surge do nada.
Novamente, observamos que a causa de termos raiva um dia é diferente da causa de um outro dia e, igualmente, a causa de eu sentir raiva pode ser diferente da sua causa.
Em geral, creio que não erramos ao dizer que a causa principal da raiva é acontecer algo que não queremos. Temos um desejo, uma vontade, e acontece o que não tínhamos querido ou planejado. Nem sempre isso é óbvio.
Você sai de carro e logo percebe que há um trânsito quilométrico. Você sente raiva. Entre a percepção do trânsito e raiva talvez não tenha passado nem um segundo. E, deste modo, não há a consciência de que a raiva surge do desejo de que não houvesse trânsito.
Aqui também é bom parar por uns instantes e pensar: quando você sentiu ou sente raiva… o que estava acontecendo? O que havia que você não queria que houvesse?

O que você pode controlar?

No filme Click, Adam Sandler ganha um controle remoto que lhe permite alterar a realidade. É uma comédia com cenas muito engraçadas e que nos ajuda aqui a, metaforicamente, entender a ideia de controle.
Um controle remoto nos permite realizar algumas modificações em uma televisão. Mudar de canal, de volume, de cor. Se estamos assistindo com alguém, a pessoa que tem o controle, vai controlar o que será visto (esperamos que sem brigas).
Na vida, ao contrário, não temos na maior parte dos momentos um controle grande dos eventos. Não podemos controlar a cor do céu, a temperatura, se chove ou faz sol. De igual modo, muitos eventos sociais também não estão sob o nosso controle, como o trânsito, a macroeconomia, o que um político que votamos faz, etc.
A questão é que queremos controlar. E, consequentemente, uma boa parte da raiva é sem sentido. Afinal, podemos ter raiva o quanto quisermos por estar 35° mas isso não vai mudar a temperatura. Podemos ter raiva porque alguém falou uma besteira na TV ou ao nosso lado e isso também não está sob o nosso controle.
Na verdade, até as sensações corporais, muitas vezes, não estão sob o nosso controle como o ritmo do batimento cardíaco ou o rubor.
Olhando assim talvez pareça desolador. Na verdade, penso que é reconfortante analisar as coisas por esse ângulo porque passamos a ter clareza sob o que está sob o nosso controle e que é o mais importante: o nosso comportamento.

Emoções e comportamento

Um exemplo, digamos que alguém me ofendeu. A partir da ofensa, talvez eu sinta sensações corporais desagradáveis. Dependendo do momento, triste ou raiva. Se eu observar em detalhes as sensações, notarei modificações aqui e ali em meu corpo.
Sei que estas sensações são passageiras, mas tenho que lembrar que entre o estímulo e a resposta, como nos alerta Victor Frankl, há um espaço de liberdade. Respondo a ofensa com ofensa? Ou respondo com silêncio? Ou brinco e quebro o clima tenso?
Pela psicologia comportamental do Skinner, aprendemos que as emoções não são a causa do comportamento.
Saber desta distinção nos ajuda a ter mais liberdade para agir de uma forma que seja benéfica para nós e para os outros. Pois se alguém me ofende eu o agrido, terei mais problemas.

A expressão da raiva

No calor do momento, tudo isso pode parecer teórico ou utópico demais. Recalcar ou reprimir a raiva, fingir que ela não existe, não é uma boa estratégia até porque a tendência é, paradoxalmente, fazer com que ela permaneça.
Explico: quando queremos não pensar em algo, acabamos tendo que pensar para não pensar. E isso leva a pensar mais. Uma das estratégias que temos é permitir sentir as emoções, observar as sensações e as deixar passar junto dos pensamentos que alimentam a raiva. Se ficamos nos lembrando da ofensa, permaneceremos ofendidos e, provavelmente, triste ou irritados.
Em outras palavras, negar que há um sentimento, uma emoção, uma sensação não adianta. Nesse sentido, é preciso ser sincero consigo e observar o que está acontecendo, porém, sempre sabendo que podemos agir sem ter por base uma emoção negativa.
Ao tomar consciência de uma emoção que está presente agora, temos alternativas para a sua expressão que são mais adequadas, desde ouvir uma música na qual gritamos ou dançar, pular, dar socos em um travesseiro – porque, no final das contas, a raiva é apenas uma sensação corporal. Torna-se negativa se nos traz consequências negativas. A diferença entre dar um murro em alguém e tocar guitarra.

Texto Original: Psicologiamsn


quarta-feira, 27 de abril de 2016

Medicina Tibetana e as Emoções


Por

Entrevista com o médico e lama tibetano Tulku Lobsang Rinpoche.

“Sou uma pessoa normal, penso o tempo todo. Mas tenho a mente treinada. Isso quer dizer que não sigo meus pensamentos. Eles vêm, mas não afetam nem minha mente, nem meu coração.”

Quando um paciente chega para consulta, como o senhor sabe qual o problema?
R – Olhando como ele se move, sua postura, seu olhar. Não é necessário que fale nem explique o que se passa. Um doutor de medicina tibetana experiente sabe do que sofre o paciente a 10 m de distância.

Mas o senhor também verifica os pulsos?
R – Assim obtenho a informação que necessito sobre a saúde do paciente. Com a leitura do ritmo dos pulsos é possível diagnosticar cerca de 95% das enfermidades, inclusive psicológicas. A informação dada por eles é precisa como um computador. Para lê-los, é necessária muita experiência.

E depois, como realiza a cura?
R – Com as mãos, o olhar e preparados de plantas e minerais.

Segundo a medicina tibetana, qual é a origem das doenças?
R – Nossa ignorância.

Então, perdoe a minha, mas o que entender por ignorância?
R – Não saber que não sabe. Não ver com clareza. Quando vemos com clareza, não temos que pensar. Quando não vemos claramente, colocamos o pensamento para funcionar. E, quanto mais pensamos, mais ignorantes somos, mais confusão criamos.

Como posso ser menos ignorante?
R – Vou ensinar um método muito simples: praticando a compaixão. É a maneira mais fácil de reduzir os pensamentos. E o amor. Se amamos alguém de verdade, se não o queremos só para nós, aumentamos a compaixão.

Que problemas percebe no Ocidente?
R – O medo. O medo é o assassino do coração humano.

Por quê?
R – Porque, com medo, é impossível ser feliz e fazer felizes os outros.

Como enfrentar o medo?
R – Com aceitação. O medo é resistência ao desconhecido.

Como médico, em que parte do corpo vê mais problemas?
R – Na coluna, na parte baixa da coluna: as pessoas permanecem sentadas tempo demais na mesma posição. Com isso, se tornam rígidas demais.

Temos muitos problemas?
R: Acreditamos ter muitos problemas, mas, na realidade, nosso problema é que não os temos.

O que isso quer dizer?
R – Que nos acostumamos a ter nossas necessidades básicas satisfeitas, de modo que qualquer pequena contrariedade nos parece um problema. Então, ativamos a mente e começamos a dar voltas e mais voltas sem conseguir solucioná-la.

Alguma recomendação?
R – Se o problema tem solução, já não é um problema. Se não tem, também não.

E para o estresse?
R – Para evitá-lo, é melhor estar louco.
R – É uma piada. Mas não tão piada assim. Eu me refiro a ser ou parecer normal por fora e, por dentro, estar louco: é a melhor maneira de viver.

Que relação o senhor tem com sua mente?
R – Sou uma pessoa normal, penso o tempo todo. Mas tenho a mente treinada. Isso quer dizer que não sigo meus pensamentos. Eles vêm, mas não afetam nem minha mente, nem meu coração.

O senhor ri muito?
R – Quando alguém ri nos abre seu coração. Se você não abre seu coração, é impossível entender o humor. Quando rimos, tudo fica claro. Essa é a linguagem mais poderosa que nos conecta uns aos outros diretamente.

O senhor acaba de lançar um CD de mantras com base eletrônica, para o público ocidental.
R – A música, os mantras e a energia do corpo são a mesma coisa. Como o riso, a música é um grande canal para nos conectar com o outro. Por meio dela, podemos nos abrir e nos transformar: assim, usamos a música em nossa tradição.

O que gostaria de ser quando ficar mais velho?
R: Gostaria de estar preparado para a morte.

E mais nada?
R – O resto não importa. A morte é o mais importante da vida. Creio que já estou preparado. Mas, antes da morte, devemos nos ocupar da vida. Cada momento é único. Se damos sentido à nossa vida, chegamos à morte com paz interior.

Aqui vivemos de costas para a morte.
R: Vocês mantêm a morte em segredo. Até que chegará um dia em sua vida em que já não será um segredo: não será possível escondê-la.

E qual o sentido da vida?
R – A vida tem sentido e não tem. Depende de quem você é. Se você realmente vive sua vida, então a vida tem sentido. Todos têm vida, mas nem todos a vivem. Todos temos direito a sermos felizes, mas temos que exercer esse direito. Do contrário, a vida não tem sentido.